Diadema investe R$ 365 mil em drone com gás lacrimogêneo para conter bailes funks

Equipamento exclusivo no Brasil será utilizado pela Guarda Civil para monitorar e reprimir pancadões que incomodam moradores; compra sem licitação provocou polêmica

Nova tecnologia divide opiniões entre defesa da segurança pública e impacto social - Imagem: Reprodução | Condor

Lívia Gennari Publicado em 14/07/2025, às 16h46 - Atualizado às 16h46

A Prefeitura de Diadema, na Grande São Paulo, adquiriu um drone equipado para lançar bombas de gás lacrimogêneo, com o objetivo de reforçar a atuação da Guarda Civil Metropolitana (GCM) no combate aos chamados “pancadões”, festas que acontecem durante a madrugada nas periferias da cidade. A compra, no valor de R$ 365.313,60, foi feita sem licitação, o que gerou críticas à administração municipal.

O drone, adquirido da empresa Condor S/A Indústria Química, tem autonomia de voo de 15 minutos e pode transportar até 24 bombas de gás em um único voo. Além disso, a GCM comprou 48 unidades das bombas usadas pelo aparelho. 

Prefeitura defende legalidade de compra sem licitação

Em nota, a Prefeitura afirma que a contratação foi realizada por inexigibilidade de licitação, amparada pela Lei nº 14.133/2021, que permite esse tipo de compra em casos de fornecimento exclusivo. A tecnologia instalada no drone, considerada inédita no Brasil, justifica a medida. A justificativa técnica está disponível no Portal da Transparência municipal. A gestão municipal ainda reforça que o equipamento integra o programa de segurança pública “Diadema Segura”, que engloba diversas ações para conter a violência e o incômodo causado pelos pancadões.

“A principal finalidade do drone é o monitoramento aéreo. O equipamento permitirá uma visão tática e em tempo real das regiões da cidade, especialmente em áreas de maior vulnerabilidade, ampliando a capacidade de resposta da Guarda Civil Municipal (GCM) e garantindo mais segurança para a população e para os agentes em serviço”, destaca o texto.

A gestão municipal afirmou que o uso do drone será restrito a situações específicas, com autorização prévia e seguindo protocolos legais, e que o equipamento será acionado somente em casos de risco coletivo ou resistência a ordens legais, respeitando os direitos humanos, para garantir a segurança e minimizar conflitos.

Pancadões e o combate à criminalidade

A Prefeitura lembra que o combate aos pancadões é uma prioridade, já que esses eventos causam transtornos, como barulho excessivo, desrespeito às regras de convivência e, frequentemente, estão associados à comercialização de produtos ilícitos e consumo de drogas. Apesar das medidas da Prefeitura, os pancadões na cidade não diminuíram, pelo contrário, cresceram após a pandemia, atraindo cada vez mais moradores das regiões periféricas.

Nova tecnologia divide opiniões

A oposição, no entanto, questiona a compra do drone sem licitação e critica o uso de tecnologia que lança gás lacrimogêneo em festas populares, levantando discussões sobre segurança pública, direitos civis e o impacto nas comunidades locais.

O atual prefeito da cidade, Taka Yamauchi (MDB), foi alvo de críticas por parte de vereadores da oposição. Eles afirmam que a gestão não avaliou as prioridades da cidade antes da aquisição. Além disso, alertam que o uso do equipamento pode gerar tumulto em grandes aglomerações.

Enquanto a Prefeitura defende o uso do drone como uma ferramenta estratégica para aumentar a segurança pública e proteger a população, a oposição segue questionando os custos e os impactos sociais da medida, reforçando o debate sobre os limites entre a segurança e os direitos civis em Diadema. O tema, que mobiliza moradores, vereadores e especialistas, deve continuar sendo pauta nas discussões municipais nos próximos meses.

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