Lixo deixado por comércios têxteis obstrui bueiros na região central e desafia ações de limpeza da prefeitura
Letícia Sales Publicado em 13/01/2026, às 10h30
O descarte irregular de lixo por estabelecimentos comerciais do Brás, na região central de São Paulo, tem provocado a obstrução de bueiros e aumentado o risco de alagamentos, especialmente em períodos de chuva. Ao longo desta semana, sacos com restos de tecido, plástico, vidro e até marmit
as foram encontrados dentro e sobre bocas de lobo na Rua Monsenhor de Andrade.
Grande parte dos resíduos é composta por sobras têxteis, material comumente descartado por lojas de roupas que operam no polo comercial da região. O acúmulo compromete a drenagem das vias e favorece transbordamentos, um problema recorrente em pontos já vulneráveis da área central.
A poucos quilômetros do local, a prefeitura mantém um ecoponto têxtil, inaugurado no ano passado, destinado exclusivamente ao recebimento gratuito de resíduos de tecido. Segundo o secretário municipal das Subprefeituras, Fabrício Cobra Arbex, a cidade conta atualmente com 130 ecopontos em funcionamento. Apenas o equipamento voltado ao descarte têxtil do Brás recebeu cerca de 700 toneladas de material no último mês.
Apesar da estrutura disponível, parte do lixo continua sendo abandonada nas calçadas e em vias públicas. Em muitos casos, os sacos aparecem rasgados e com o conteúdo espalhado, situação que, segundo a prefeitura, é agravada pela ação de pessoas em situação de rua que reviram os resíduos em busca de alimentos ou materiais recicláveis.
Dados da administração municipal apontam que, em 2025, as equipes de varrição já recolheram 82 mil toneladas de lixo das ruas da capital, número recorde e 9% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, sem considerar o mês de dezembro. Mesmo com o reforço na limpeza, a fiscalização enfrenta dificuldades para conter o descarte irregular. Somente neste ano, 1.252 multas já foram aplicadas.
A prefeitura afirma que mantém ações contínuas de zeladoria urbana e intensifica os serviços durante períodos chuvosos. Ainda assim, reforça a necessidade de colaboração da população e dos comerciantes para evitar o descarte inadequado de resíduos e reduzir os impactos no sistema de drenagem da cidade.