Documento detalha supostas irregularidades e alerta os sócios do Timão
Jair Viana Publicado em 06/08/2025, às 10h24
A gestão de Augusto Melo, presidente do Corinthians, enfrenta uma crise política e jurídica que culminará em uma assembleia geral marcada para o próximo sábado, 9, quando os sócios decidirão sobre seu impeachment. Um relatório técnico elaborado pela equipe jurídica do escritório HSLaw, coordenada por Ricardo e Rodrigo Sayeg, expõe contradições nas acusações e sustenta a defesa de Melo. O documento contesta denúncias envolvendo supostas irregularidades financeiras, contratos e uma suposta tentativa de golpe institucional, e argumenta que o processo tem motivação política.
Segundo o relatório, o afastamento do presidente eleito democraticamente foi conduzido com pressa, sem garantir ampla defesa e sob forte influência de grupos políticos. A defesa sustenta que a intenção seria desestabilizar uma administração que vinha promovendo mudanças significativas no clube.
Melo assumiu a presidência em 2024 prometendo romper com práticas do grupo Renovação & Transparência, que dominou o Corinthians por anos. Herdou dívidas milionárias, 40 meses de FGTS atrasado e 11 meses de direitos de imagem em aberto. Apesar disso, o relatório aponta conquistas como superávit contábil de R$ 12 milhões, o maior contrato de mídia da América Latina, a reformulação do programa Fiel Torcedor e títulos no Campeonato Paulista e na Copinha.
A gestão também implantou uma auditoria independente, liderada por Eliseu Martins, que revelou falhas em administrações anteriores. Houve ainda cortes de privilégios, como o uso de cartões corporativos, e redução de despesas operacionais.
Entre as acusações contra Melo estão supostas irregularidades em contratos, como o da Vai de Bet – o maior patrocínio da história do clube – e o da empresa RF Segurança, que já prestava serviços ao Corinthians e, segundo a defesa, possuía reconhecido custo-benefício. A defesa alega ausência de provas materiais e argumenta que as denúncias partem de conselheiros que perderam influência com as mudanças promovidas pela atual gestão.
O contrato da Arena, assinado pela gestão anterior na véspera da eleição, é citado como exemplo de decisão que gerou impactos financeiros evitáveis. Já a gestão Melo teria buscado revisar contratos para equilibrar as finanças do clube.
A defesa classifica o processo de impeachment como um “julgamento antecipado”, aberto antes da conclusão das investigações e sem que a defesa tenha sido formalmente ouvida. Aponta ainda que a oposição tenta retaliar Melo por ter exposto contratos duvidosos e cortado benefícios internos. A crise política se intensificou ao longo de 2024, com rompimentos com aliados como Rubão e Osmar Stabile, além de acusações públicas de envolvimento com intermediários e até supostas ligações com o PCC — posteriormente desmentidas pela polícia.
A Justiça de São Paulo aceitou denúncia do Ministério Público e tornou Melo réu. A defesa, no entanto, afirma que a decisão tem caráter formal e que confia na reversão do processo.
No campo, a atual gestão garantiu salários em dia por sete meses, recuperando a confiança do elenco, e contratou reforços como Memphis Depay. Fora dele, promoveu a revitalização do clube social, com reformas em quadras, iluminação e jardinagem, sem aumento de mensalidades. Medidas como a licitação da bilhetagem, que reduziria a taxa de 21% para 4%, e projetos de economia de energia também são destacados como avanços.
Segundo o relatório, a gestão interina que assumiu após o afastamento de Melo teria desfeito contratos vantajosos e paralisado reformas estruturais.
A defesa finaliza o documento reforçando que a assembleia de 9 de agosto decidirá não apenas o futuro de Augusto Melo, mas o rumo institucional do Corinthians. Um impeachment, afirmam os advogados, pode levar a novas eleições restritas ao Conselho Deliberativo, silenciando a torcida. Já a permanência de Melo reforçaria a legitimidade do voto dos mais de 70% de associados que o elegeram. A gestão apela para que os sócios votem com consciência, considerando os resultados práticos e o risco de retrocesso político em caso de afastamento definitivo do presidente.