A mãe relatou que o filho foi silenciado com fita adesiva por uma professora do Colégio Paulicéia durante as aulas, prática que se repetiu mesmo após a criança conseguir se libertar
William Oliveira Publicado em 17/09/2025, às 09h16
Uma grave denúncia envolvendo uma escola na Zona Sul de São Paulo veio à tona após a mãe de um aluno diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) relatar que o filho sofreu maus-tratos. O caso teria ocorrido no dia 9 de setembro.
De acordo com o boletim de ocorrência, a criança contou à mãe que foi agredida por uma professora do Colégio Paulicéia, que teria utilizado fita adesiva para tapar sua boca durante as aulas, na frente dos colegas. Após o menino conseguir retirar a fita, a professora teria repetido a ação, tentando silenciá-lo novamente.
Em busca de esclarecimentos, a mãe procurou a direção da escola. Durante reunião com os proprietários e a coordenadora da instituição, foi informada de que as agressões teriam sido registradas por câmeras de segurança, mas não teve acesso às imagens.
Indignada, ela relatou o trauma vivido pelo filho: “Eu sou mãe atípica, mãe de um menino amoroso. Tenho orgulho do meu filho. Mas, hoje, meu maior medo se transformou em realidade: meu filho de 11 anos, autista, foi agredido por quem deveria cuidar, proteger e orientar.”
Na reunião, a mãe também foi informada de que a professora responsável seria demitida, embora a escola aguardasse parecer jurídico antes de tomar uma decisão formal.
“A violência não pode ser tratada com frieza ou impunidade. O mínimo que esperamos é justiça e o fim do silêncio em torno dessas violências. Nenhuma criança deve ser tratada como um fardo”, completou.
O caso foi denunciado à Delegacia de Proteção da Pessoa com Deficiência (DHPP) e registrado como “maus-tratos”.
Leia a nota divulgada pela escola:
“Como medida inicial e em caráter preventivo, a professora envolvida foi afastada de suas funções. Adicionalmente, o Colégio Paulicéia já tomou as providências para instaurar uma sindicância interna, em estrita conformidade com a legislação vigente, a fim de investigar profundamente o ocorrido e apurar todas as responsabilidades.
Estamos empenhados em garantir a transparência e a justiça em todo o processo, e tomaremos todas as medidas cabíveis de acordo com as conclusões da sindicância. Permanecemos à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais, dentro dos limites da confidencialidade e do devido processo legal.”