Investigação reúne relatos de servidores sobre supostas irregularidades em registros de profissionais de unidade administrada por organização social contratada pela Prefeitura
Julio Cezar Souza Publicado em 04/07/2026, às 12h47
A Corregedoria-Geral do Município de São Paulo conduz uma sindicância para apurar denúncias de supostas irregularidades na gestão de pessoal do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) IV Redenção, localizado na região central da capital paulista. A investigação foi aberta após servidores apontarem a existência de profissionais que constavam nos registros da unidade, apesar de já não prestarem serviços no local.
Segundo os relatos apresentados pelos denunciantes, a Tabela de Lotação de Pessoal da unidade incluía médicos aposentados, profissionais desligados da instituição e até pessoas falecidas. O CAPS é administrado pela Associação Filantrópica Nova Esperança (AFNE), organização social contratada pela Prefeitura para atuar na rede municipal de saúde.
Durante a apuração, uma ex-funcionária da entidade prestou depoimento à Corregedoria. De acordo com o relatório da investigação, ela afirmou ter informado à direção da unidade sobre a necessidade de atualizar o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), retirando nomes de profissionais que já não integravam a equipe. Segundo o depoimento, as alterações não foram realizadas antes de seu desligamento da organização.
Ainda conforme o documento, alguns médicos que já haviam deixado o serviço chegaram a procurar a entidade para solicitar a exclusão de seus nomes do sistema oficial.
As suspeitas foram inicialmente levadas ao vice-prefeito de São Paulo, Coronel Mello Araújo, que encaminhou o caso para análise da Corregedoria. Após o início da investigação, o órgão recomendou a suspensão do contrato firmado entre a Prefeitura e a AFNE. A administração municipal adotou a medida em março deste ano.
Apesar disso, a entidade permaneceu responsável pela gestão da unidade após obter decisão liminar favorável na Justiça. O entendimento foi posteriormente mantido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.
Em nota, a Secretaria Municipal da Saúde informou que acompanha o caso e afirmou colaborar com as investigações conduzidas pelos órgãos competentes.
A Associação Filantrópica Nova Esperança, por sua vez, declarou que respondeu aos questionamentos apresentados pelas autoridades e informou ter instaurado procedimento judicial por calúnia contra os servidores responsáveis pelas denúncias. A entidade não comentou, porém, as supostas inconsistências apontadas na investigação.
O caso também ocorre em meio às mudanças promovidas na estrutura administrativa da saúde municipal. A Coordenadoria Regional de Saúde Centro, responsável pela região onde está localizado o CAPS, foi extinta por decreto em março deste ano. A Prefeitura afirmou que a medida faz parte de uma reorganização administrativa voltada ao aprimoramento da gestão dos serviços e garantiu que o atendimento à população na região central não foi afetado.