Corregedoria da PM indicia 16 policiais por envolvimento em execução de delator do PCC

Entre os indiciados, 12 enfrentam acusações de organização criminosa e três são acusados de homicídio direto no caso

Mandantes do crime foram identificados e a Polícia Federal investiga associação criminosa ligada ao PCC e corrupção entre policiais. - Imagem: Divulgação

Marina Milani Publicado em 17/04/2025, às 09h09

 A Corregedoria da Polícia Militar (PM) formalizou o indiciamento de 16 policiais, sob a acusação de envolvimento na escolta ilegal e no assassinato de Vinícius Gritzbach, um delator do Primeiro Comando da Capital (PCC). O inquérito policial militar foi encerrado na última terça-feira, dia 15 de abril.

Entre os indiciados, 12 enfrentarão acusações por organização criminosa, enquanto um responderá por falsidade ideológica. Três policiais foram especificamente indiciados pela participação direta no homicídio e também por organização criminosa voltada à prática de violência.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) confirmou que, em decorrência das investigações, 17 policiais militares continuam sob custódia.

O encerramento do inquérito foi anunciado após a Polícia Civil concluir a investigação sobre a execução de Gritzbach, que foi assassinado a tiros ao desembarcar no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, no dia 8 de novembro do ano passado. A finalização ocorreu em 14 de março.

Em uma coletiva de imprensa realizada 126 dias após o início das investigações, autoridades do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) apresentaram "provas robustas" que esclarecem o papel de cada suspeito no crime. O pedido para converter as prisões temporárias em preventivas foi solicitado para oito indivíduos: seis diretamente envolvidos no homicídio e dois que auxiliaram na fuga dos criminosos.

"As investigações chegaram a um ponto culminante nesta fase. O inquérito reúne evidências técnicas sólidas que apoiarão o Ministério Público em sua denúncia. Continuaremos com investigações adicionais sobre possíveis outros envolvidos", afirmou Artur Dian, delegado-geral da Polícia Civil.

O inquérito possui aproximadamente 20 mil páginas, resultado da análise de 6 terabytes de dados que incluem imagens, gravações e informações coletadas por meio de quebras de sigilo e mandados judiciais.

A diretora do DHPP, Ivalda Aleixo, destacou que o acesso ao material durante as investigações foi restrito. "Os dados foram revisados detalhadamente em uma sala isolada. Nossa força-tarefa realizou um extenso trabalho de campo ao longo desses meses", explicou.

Apesar do encerramento deste inquérito específico, outros três estão sendo conduzidos paralelamente para investigar aspectos como a razão pela qual Gritzbach estava buscando joias avaliadas em R$ 2 milhões em Alagoas no dia de sua morte e o possível envolvimento de outras pessoas que forneceram informações antes e após o crime.

Mandantes do Homicídio

A força-tarefa da SSP identificou Emílio Carlos Gongorra, conhecido como "Cigarreiro", como um dos mandantes do assassinato de Gritzbach. Ele teria colaborado com Diego Amaral, conhecido como "Didi", na execução do plano. Os dois estariam buscando vingar a morte dos membros do PCC Anselmo Becheli Santa Fausta e Antônio Corona Neto, pelos quais Gritzbach era acusado.

Cigarreiro e Didi mantinham relações pessoais com Cara Preta e eram seus parceiros comerciais. Didi estava com Cara Preta momentos antes deste ser assassinado em 2022.

"Temos evidências técnicas que demonstram claramente que eles orquestraram o crime, incluindo mensagens que indicam vingança como motivação", revelou Luciana Peixoto, delegada do DHPP.

A morte de Gritzbach também está ligada às suas delações sobre atividades do PCC ao Ministério Público de São Paulo (MPSP).

Todas as pessoas indicadas tiveram suas prisões preventivas solicitadas pela polícia e atualmente estão foragidas. Além deles, Kauê do Amaral Coelho é outro fugitivo, acusado de atuar como olheiro no aeroporto e alertar os executores sobre os movimentos de Gritzbach.

A polícia ainda não localizou os foragidos, mas acredita-se que possam estar escondidos em comunidades no Rio de Janeiro.

Investigação Paralela pela Polícia Federal

Simultaneamente às investigações sobre o assassinato do delator do PCC, a Polícia Federal (PF) iniciou um inquérito para desmantelar uma associação criminosa composta por policiais civis ligados ao PCC, investigando lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva. Até agora, 26 indivíduos foram detidos: 17 policiais militares, cinco policiais civis e quatro associados a Kauê.

Ação Judicial

Em fevereiro deste ano, a Justiça aceitou uma denúncia apresentada pelo Ministério Público que tornou réus 12 pessoas, entre elas oito policiais civis, empresários e um advogado.

Circunstâncias da Execução

Vinícius Gritzbach foi morto em 8 de novembro durante sua chegada ao Aeroporto Internacional de São Paulo. Ele retornava de Maceió quando foi abordado por dois homens encapuzados armados com fuzis logo após desembarcar.

Atingido por 10 dos 29 disparos efetuados pelos assassinos, Gritzbach morreu no local. Um taxista também perdeu a vida na ação, além de duas outras pessoas feridas pelos tiros.

A investigação sobre este caso continua sob responsabilidade da força-tarefa criada pelo DHPP para esclarecer todos os detalhes relacionados ao crime.

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