O anúncio foi feito pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, revelando a identidade de Grenaldo e Dênis, enterrados como indigentes
William Oliveira Publicado em 16/04/2025, às 12h20
Recentemente, duas vítimas do regime militar brasileiro foram oficialmente identificadas entre os restos mortais encontrados na Vala Clandestina de Perus, localizada na zona leste de São Paulo. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (16), como resultado de uma colaboração entre a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e a Prefeitura de São Paulo.
O Grupo de Trabalho Perus (GTP) revelou que os corpos pertencem a Grenaldo de Jesus da Silva e Dênis Casemiro, ambos enterrados na vala clandestina do Cemitério Dom Bosco, descoberta na década de 1990.
Dênis Casemiro
Natural de Votuporanga (SP), nascido em 1942, Dênis foi pedreiro e lavrador antes de se juntar à Ala Vermelha e à Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Em 1971, foi preso e torturado por um mês no Departamento de Ordem Política e Social (DOPS). As autoridades alegaram que ele morreu tentando fugir, mas foi enterrado como indigente na vala de Perus.
A Unifesp esclareceu que ele havia sido erroneamente identificado em 1991. Sua verdadeira identidade foi confirmada apenas agora por meio de testes genéticos.
Grenaldo de Jesus da Silva
Nascido em 1941 em São Luís (MA), Grenaldo iniciou sua trajetória nas Forças Armadas na década de 1960. Antes do golpe de 1964, destacou-se em movimentos que defendiam os direitos dos militares. Após o regime tomar o poder, foi expulso da Marinha e condenado a cinco anos de prisão.
Conseguiu escapar da detenção e passou a viver clandestinamente em Guarulhos, trabalhando como porteiro e vigilante. Em 1972, foi morto por agentes estatais durante uma operação no Aeroporto de Congonhas. A versão oficial dizia que ele havia sequestrado um avião e cometido suicídio. No entanto, investigações do Instituto Médico Legal (IML) apontaram que ele foi enterrado como indigente e permaneceu desaparecido por décadas.
Vala de Perus
Descoberta em 1990, a vala clandestina do Cemitério Dom Bosco reúne vítimas do regime militar enterradas sem identificação. Estima-se que 42 pessoas assassinadas durante a ditadura estejam ali.
Até agora, apenas seis foram identificadas: além de Grenaldo e Dênis, os restos de Frederico Eduardo Mayr, Flavio Carvalho Molina, Dimas Antônio Casemiro e Aluísio Palhano Pedreira Ferreira também foram reconhecidos.