Adilson Custódio Moreira foi morto na tarde de segunda-feira (6) por um guarda civil dentro da sede da administração municipal da Prefeitura de Osasco
William Oliveira Publicado em 07/01/2025, às 09h01
A Polícia Civil está investigando os motivos que levaram um guarda civil a matar a tiros o secretário-adjunto de Segurança e Controle Urbano da Prefeitura de Osasco, Adilson Custódio Moreira, na tarde de segunda-feira (6), dentro da sede da administração municipal, na região metropolitana de São Paulo. A vítima foi atingida por um tiro na cabeça, e apurou-se que pelo menos 10 disparos foram feitos.
A Delegacia Seccional de Osasco assumiu a investigação e isolou a área da prefeitura durante a noite para os trabalhos dos peritos.
O autor do crime, Henrique Marival de Sousa, foi preso por volta das 19h. Aproximadamente duas horas antes, ele estava em uma reunião na prefeitura, onde o secretário participava de um encontro com guardas municipais. Ao final do encontro, Adilson ofereceu a oportunidade de conversas particulares, permitindo que quem quisesse ficasse. Foi quando Henrique permaneceu na sala.
Testemunhas afirmaram que, em seguida, disparos foram ouvidos dentro do ambiente. O atirador teria trancado a porta, impedindo que funcionários e outras pessoas entrassem. O pânico se espalhou rapidamente, e viaturas da Guarda Civil Municipal de Osasco, da Polícia Militar, além de ambulâncias e Corpo de Bombeiros foram acionadas.
A GCM de Osasco iniciou negociações com o atirador, que impedia o acesso das equipes para socorrer o secretário-adjunto, que estava ferido. O Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da PM foi chamado e assumiu a ocorrência, conforme informou o comandante da tropa, coronel Valmor Racorti.
Testemunhas relataram que a esposa de Henrique foi até o local do crime para tentar convencer o guarda a se entregar. Ele acabou sendo detido pouco depois.
O coronel da PM afirmou que a investigação será conduzida pela Delegacia Seccional de Osasco, e que os motivos do crime serão apurados, já que ninguém estava presente no momento dos disparos.
Quem era o secretário?
Adilson Custódio Moreira nasceu em 12 de janeiro de 1971, na cidade de Jequitinhonha, Minas Gerais. Aos seis anos, mudou-se para Cabreúva, no interior de São Paulo, onde iniciou sua vida profissional em lavouras e indústrias. Chegou a Osasco em 1988 e fundou uma empresa de motoboys, que manteve até 1992, quando prestou concurso público para a Guarda Municipal da cidade. Lá, foi promovido por meio de concurso interno.
Durante sua carreira na Guarda Civil, Adilson desempenhou diversas funções, como motorista de viaturas, patrulhamento de motos e Ronda Oficial. Também ajudou na implantação do Canil da Guarda Civil em 2001 e coordenou o setor de transportes e reestruturação predial da instituição. Recentemente, colaborou na criação do projeto de reestruturação do Plano de Cargos e Carreira da GCM.
Adilson foi nomeado Secretário de Segurança e Controle Urbano de Osasco em junho de 2018, cargo que ocupou até 2019, quando José Virgolino de Oliveira assumiu a pasta. Desde então, Adilson ocupava a posição de secretário-adjunto.
Quem é o autor do crime?
Henrique Marival de Sousa, autor do crime, é Guarda Civil de 1ª Classe de Osasco e integra a corporação desde 2015. De acordo com informações levantadas pela reportagem, ele era conhecido por ser uma pessoa tranquila. Marival é casado e tem uma filha.
Até o fechamento da reportagem, não havia informações sobre o velório e sepultamento de Adilson Custódio Moreira, nem sobre os próximos passos relacionados ao autor do crime.
No momento do ocorrido, o prefeito Gerson Pessoa (Podemos) não estava na sede da prefeitura. Em razão do assassinato de seu secretário-adjunto, ele decretou luto oficial de três dias na cidade.