Maicol Sales, detido desde abril, afirma ter sido coagido a confessar o crime de Vitória Regina, de 17 anos, encontrada morta em Cajamar
William Oliveira Publicado em 24/09/2025, às 11h44
No dia 8 de setembro, Maicol Sales dos Santos, detido desde abril e apontado como principal suspeito no assassinato da adolescente Vitória Regina, de 17 anos, apresentou uma carta afirmando ter sido coagido a confessar o crime. Segundo ele, ameaças e acusações feitas pela Polícia Civil teriam levado à confissão.
Vitória foi encontrada morta em 5 de março, em uma área de mata em Cajamar, na Grande São Paulo. Maicol assinou a confissão do crime doze dias depois da descoberta do corpo.
Na carta de quatro páginas, o réu detalha como acredita que sua confissão foi obtida sob pressão, sugerindo que a verdadeira responsabilidade pelo crime possa estar sendo encoberta pela polícia.
Maicol relata surpresa ao saber de sua confissão no dia 17 de março. Ele conta ter ouvido barulhos vindos da cobertura da mídia enquanto dois advogados da OAB o informaram sobre a divulgação do caso. Alegou não ter confessado o crime durante as investigações.
Segundo ele, por volta das 22h daquele dia, foi visitado pelo investigador-chefe e um policial em sua cela, momento em que teria recebido ameaças contra si e sua família. Afirma ter sido mantido em um banheiro insalubre sem liberdade de locomoção. Segundo seu relato, câmeras poderiam comprovar essas alegações, mas a polícia se negaria a liberar as imagens.
Por volta das 22h30, teria sido conduzido à sala do delegado, onde encontrou diversos policiais, incluindo o secretário de Segurança de Cajamar e uma advogada cuja presença ele não teria solicitado. Pediu a presença de seus advogados, mas foi informado que estes haviam abandonado o caso.
Maicol alega que o delegado fez ameaças e acusações para coagi-lo a confessar, citando: "Você acha que não consigo fazer a perícia te foder, seu lixo. Se você não cooperar, o PCC vai cuidar da sua família".
Durante o interrogatório, afirma ter sido levado repetidamente a outra sala para conversar com a advogada Glória, que segundo ele disse ser funcionária da Prefeitura de Cajamar e recomendou seguir ordens do secretário. As ameaças contra sua família teriam continuado, e foi informado que seria responsabilizado pelo crime independentemente das circunstâncias.
Maicol também relatou conversa com sua mãe antes de confessar, recebendo instruções sobre como narrar o depoimento — segundo ele, fatos falsos ditados por policiais presentes. Ao encerrar sua carta, denunciou a polícia de Cajamar por encobrir o verdadeiro crime contra Vitória Regina.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirmou que investiga as alegações por meio da Corregedoria da Polícia Civil. A Prefeitura de Cajamar repudiou o conteúdo da carta, classificando-o como “infundado e mentiroso”, e disse que o objetivo é desviar o foco das investigações.
Segundo a administração municipal, o secretário envolvido apoiou a família da vítima e mobilizou agentes para auxiliar no caso. A advogada Glória atua como servidora pública auxiliar e não ocupa cargo na Procuradoria Municipal. A investigação segue sob responsabilidade da Polícia Civil e do Ministério Público.