Fábio Anderson Pereira de Almeida disparou contra Guilherme Dias Ferreira, um jovem de 26 anos, em Parelheiros, São Paulo
William Oliveira Publicado em 14/07/2025, às 13h43
O policial militar Fábio Anderson Pereira de Almeida será acusado de homicídio doloso, que implica a intenção de matar, após disparar contra Guilherme Dias Ferreira, um jovem de 26 anos, na região de Parelheiros, zona sul de São Paulo. A decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) foi tomada no último sábado (12), atendendo a um pedido do Ministério Público para mudar a tipificação do crime. Inicialmente, Almeida foi detido em flagrante e indiciado por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
O ocorrido se deu na noite da sexta-feira (4), quando o policial disparou um tiro na cabeça de Guilherme. Almeida afirmou ter confundido o marceneiro com um assaltante, após suposta tentativa de roubo. Segundo a Polícia Civil, Guilherme estava a caminho do ponto de ônibus após o trabalho, o que questiona a versão do policial.
Documentos indicam que Almeida alegou agir em legítima defesa, acreditando estar respondendo a uma ameaça pela tentativa de roubo de sua motocicleta. No entanto, as investigações contestam essa versão. A perícia encontrou itens pessoais na mochila da vítima, como celular e utensílios de refeição. Testemunhas também apresentaram um vídeo de segurança mostrando Guilherme saindo do trabalho apenas sete minutos antes do crime, distante do local do disparo.
O caso ganha ainda mais tragédia porque Guilherme havia se casado recentemente e comemorado o fim do dia em suas redes sociais. Conforme a investigação, ele deixou de ser suspeito e tornou-se vítima, segundo o boletim final. As autoridades indicam que o policial se deixou levar por um erro de percepção, confundindo a vítima com um criminoso, afastando a hipótese de legítima defesa. A arma usada, uma pistola Glock calibre .40 da Polícia Militar, foi apreendida.
Reações das autoridades
O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania manifestou pesar e pediu uma investigação rigorosa e transparente. “Mais uma vez, presenciamos a vida de um jovem negro ser interrompida pela violência. O que torna este caso ainda mais grave é o fato de o assassinato ter sido cometido por um agente de segurança pública, alguém que deveria zelar pela proteção da vida. O MDHC exige uma apuração rigorosa, célere e transparente do caso, com a imediata responsabilização de todos os envolvidos”, afirmou a entidade.
No mesmo dia da decisão judicial (12), o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), condenou a violência policial, citando casos recentes na capital paulista. Ele mencionou o assassinato de outro jovem em Paraisópolis e destacou a urgência de rever práticas policiais.
“A morte de um jovem inocente de 26 anos, voltando do trabalho, em Parelheiros/SP, e o assassinato de outro jovem de 24 anos, em Paraisópolis/SP, em circunstâncias que indicam para uma possível execução, evidenciam, mais uma vez, a necessidade urgente de reflexão sobre o tema da segurança pública em nosso país”, disse Mendes.
Em meio à crescente preocupação com a conduta policial, o governador Tarcísio de Freitas afirmou que não tolerará desvios ou irregularidades por parte dos agentes de segurança.