INVESTIGAÇÃO

Caso de PM encontrada morta com tiro passa por reconstituição

A Polícia Civil realizará nesta segunda-feira (2) a reconstituição da morte da policial militar Gisele Alves Santana, encontrada com um tiro na cabeça no apartamento onde morava com o marido, no Brás,

Familiares de Gisele contestam a hipótese de suicídio e pedem que o caso seja tratado como feminicídio - Imagem: Reprodução / Arquivo pessoal

William Oliveira Publicado em 02/03/2026, às 13h29

A Polícia Civil realizará nesta segunda-feira (2) a reconstituição da morte da policial militar Gisele Alves Santana, encontrada com um tiro na cabeça no apartamento onde morava com o marido, no Brás, região central de São Paulo.

Gisele, de 32 anos, era esposa do tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, e, segundo familiares, vivia em um relacionamento abusivo e conturbado. A morte ocorreu em 18 de fevereiro, no apartamento do casal, onde residiam desde 2024. Segundo o marido, Gisele teria atirado contra si mesma após uma discussão, enquanto ele estava no banho. Ao ouvir o disparo, ele teria saído e encontrado a esposa ferida. Ela foi levada ao Hospital das Clínicas, mas não resistiu.

A reconstituição faz parte das investigações conduzidas pela Corregedoria da PM e Polícia Civil, que buscam esclarecer as circunstâncias do caso. Familiares relataram que Gisele era constantemente controlada pelo marido, que a proibia de usar salto, batom e roupas fora do que ele determinava, além de limitar contato com amigos e familiares. A filha do casal, de 7 anos, teria presenciado algumas das discussões.

Dias antes da morte, Gisele teria pedido ajuda ao pai para deixar o imóvel, mas decidiu permanecer na tentativa de conversar com o marido. A família contesta a hipótese de suicídio e defende que o caso seja investigado como feminicídio. A mãe da PM, Marinalva Santana, afirmou: “Jamais tiraria a própria vida. Ela tinha sonhos e planos. O sonho dela era viver e dar o melhor para a filha. Era muito amorosa. Só tinha amor e amava a vida, e todo dia minha filha dizia que sofria violência psicológica.”

O 8° Distrito Policial do Brás conduz as investigações, acompanhadas pela Corregedoria da Polícia Militar. O tenente-coronel não é considerado suspeito até o momento. Ele relatou que, após uma discussão e boatos sobre suposta infidelidade, ouviu o disparo cerca de um minuto depois de entrar no banheiro. A arma utilizada estava sobre o armário do quarto. A Polícia Civil aguarda a análise da trajetória do disparo e outros exames periciais para esclarecer os fatos.

Em nota oficial, a corporação informou:

“A Polícia Civil informa que a ocorrência foi registrada como suicídio consumado no 8º Distrito Policial (Brás). Posteriormente, foi incluída a natureza de morte suspeita, a fim de permitir a apuração detalhada das circunstâncias do óbito. O trabalho investigativo segue em andamento com acompanhamento da Polícia Militar. Detalhes serão preservados para garantir a autonomia do trabalho policial.”

Até o momento, o tenente-coronel permanece em liberdade, enquanto os laudos periciais são aguardados para a conclusão do inquérito.

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