INVESTIGAÇÃO

Câmera corporal mostra que mulher não iniciou briga antes de ser morta por PM

Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, foi morta após ser baleada pela soldado Yasmin Cursino Ferreira, durante uma abordagem na madrugada de sexta-feira (3), em Cidade Tiradentes, na zona leste de São Paulo

Caso está sob análise do DHPP e do Ministério Público - Imagem: Reprodução / Câmera Corporal

William Oliveira Publicado em 09/04/2026, às 08h17 - Atualizado às 08h58

A morte de Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, durante uma abordagem policial na Zona Leste de São Paulo, ganhou novos desdobramentos após a divulgação de imagens de câmeras corporais. O conteúdo contradiz a versão inicial apresentada pelos policiais e levou à autuação em flagrante da agente envolvida.

O caso ocorreu na madrugada de sexta-feira (3), em Cidade Tiradentes. Inicialmente, a equipe policial alegou que Thawanna teria atingido o retrovisor da viatura e iniciado uma confusão.

No entanto, as imagens mostram um cenário diferente. A vítima caminhava pela rua quando a viatura se aproxima. O veículo era conduzido pelo soldado Weden Silva Soares, que também utilizava a câmera corporal.

Ao lado dele estava a soldado Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos, que não portava o equipamento.

O registro indica que eram 2h58 quando a equipe entra na Rua Edimundo Audran. Em determinado momento, a policial questiona a presença de Thawanna na via:

“A rua é lugar para você estar andando?”.

As imagens evidenciam que não houve contato da vítima com o veículo, nem qualquer atitude agressiva antes do disparo. Yasmin, que é recém-formada e atuava havia cerca de três meses no patrulhamento, foi quem efetuou o tiro.

“Por que você atirou?”

Um dos trechos mais impactantes mostra a reação imediata do parceiro de equipe. Logo após o disparo, o soldado Weden questiona a colega:

“Você atirou? Você atirou nela? Por quê?”, a fala indica surpresa e reforça a ausência de uma ameaça iminente.

Diante das evidências, a soldado Yasmin Cursino Ferreira foi autuada em flagrante por homicídio.

A investigação agora se concentra em pontos centrais:

O caso está sendo investigado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), além de contar com acompanhamento do Ministério Público e das corregedorias das polícias Civil e Militar.

O que diz a SSP?

"A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) informa que a ocorrência foi registrada no 49º Distrito Policial e encaminhada ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), que conduz investigação independente sobre os fatos.

Os policiais envolvidos foram afastados de suas funções e a PM que realizou o disparo teve a arma apreendida.

O caso também é alvo de Inquérito Policial Militar (IPM), onde inclusive, são apuradas as oitivas de outros agentes que foram acionados para prestarem apoio. As circunstâncias são apuradas com prioridade absoluta pelas polícias Civil e Militar, com acompanhamento das respectivas corregedorias. As investigações incluem a oitiva de testemunhas, análise de imagens captadas por câmeras corporais e a elaboração de laudos periciais, que já integram o conjunto probatório.

A SSP reforça que toda irregularidade é rigorosamente apurada e punida nas esferas administrativa e criminal e reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e a proteção da vida."

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