A decisão da 99 de não operar mototáxi em São Paulo foi tomada após reunião com a prefeitura e ocorre em meio a críticas às regras impostas ao serviçoa 99 anunciou que não vai operar o serviço de mototáxi na capital, em meio a impasses sobre as regras de funcionamento
William Oliveira Publicado em 02/04/2026, às 09h31
A empresa 99 informou nesta quarta-feira (1º) à Prefeitura de São Paulo que não pretende operar o serviço de transporte de passageiros por motocicletas na capital paulista. A decisão foi comunicada durante reunião com o prefeito Ricardo Nunes.
Segundo a gestão municipal, a restrição ao serviço foi defendida com base em critérios técnicos, especialmente relacionados à segurança. Em nota, o prefeito destacou a complexidade da cidade e os riscos envolvidos nesse tipo de transporte.
Durante o encontro, o CEO da empresa, Simeng Wang, afirmou que a 99 pretende manter diálogo com o poder público e se mostrou aberta a parcerias. Entre as propostas discutidas está a criação de pontos de apoio para motociclistas.
A empresa também confirmou que, no momento, não há planos para lançar o serviço de mototáxi na capital. O foco está na expansão de outras frentes, como entregas e soluções digitais.
A decisão ocorre após a regulamentação do transporte por motocicletas em São Paulo, sancionada em dezembro de 2025. A legislação municipal estabeleceu uma série de exigências para condutores e empresas, incluindo idade mínima, restrições de circulação em determinadas áreas e condições climáticas, além da obrigatoriedade de cursos, exames e equipamentos de segurança.
As regras também impuseram responsabilidades às plataformas, como a contratação de seguro para passageiros, criação de pontos de descanso e implementação de mecanismos de controle de velocidade nos aplicativos. As multas por descumprimento podem chegar a R$ 1,5 milhão por dia.
Empresas do setor, incluindo a Uber, consideraram as exigências rígidas e apontaram inviabilidade na operação do serviço nas condições estabelecidas. Entidades representativas afirmaram que a legislação tem caráter restritivo e questionam sua legalidade na Justiça.
Desde a aprovação das regras, não havia definição sobre a retomada do transporte de passageiros por motocicletas na capital. Com o posicionamento da 99, o cenário segue indefinido, enquanto o debate entre poder público e plataformas continua.