Câmara Municipal

Após polêmica sobre pedofilia, Alexandre Frota tem mandato cassado em Cotia

A Câmara Municipal de Cotia cassou o mandato do vereador após decisão judicial por injúria e difamação contra o ex-deputado federal Jean Wyllys

Alexandre Frota - Imagem: Divulgação / Câmara dos Deputados / Luis Macedo

William Oliveira Publicado em 07/10/2025, às 10h46

Na última sexta-feira (3), a Câmara Municipal de Cotia confirmou a cassação do mandato do vereador Alexandre Frota (PDT), eleito em 2024. A decisão decorre de condenação criminal por injúria e difamação contra o ex-deputado federal Jean Wyllys, transitada em julgado na Justiça Federal em maio deste ano, tornando-se irrecorrível.

Frota foi sentenciado a 2 anos e 26 dias de detenção, convertidos em penas alternativas: prestação de serviços à comunidade e restrição de liberdade nos finais de semana. A condenação refere-se a publicações feitas pelo vereador em 2017, antes de sua entrada na vida política.

O conteúdo polêmico atribuía a Jean Wyllys a afirmação de que “a pedofilia é uma prática normal em diversas espécies de animal; anormal é o seu preconceito”. A postagem gerou grande repercussão nas redes sociais, acumulando milhares de reações e compartilhamentos.

Mesmo alertado sobre a falsidade da declaração, Frota repetiu o conteúdo cerca de dez dias após a primeira publicação. O Tribunal Regional Federal da 3ª Região avaliou que houve “dolo intenso”, com o objetivo de denegrir a honra do ex-deputado e disseminar desinformação.

Durante o processo, Frota publicou também outra afirmação questionável, atribuindo a Wyllys uma declaração inexistente sobre práticas culturais envolvendo casamento com meninas menores de idade.

A Câmara Municipal de Cotia esclareceu que a cassação foi cumprida em atendimento a determinação judicial, não necessitando votação em plenário, pois se trata de perda automática de mandato decorrente da suspensão dos direitos políticos.

A defesa de Alexandre Frota declarou não ter recebido notificação formal sobre a decisão da Justiça Eleitoral ou da Câmara. Em nota, seus advogados afirmaram respeitar a decisão judicial, mas contestar sua validade, anunciando intenção de recorrer por meio de revisão criminal visando a absolvição. Frota declarou confiança na justiça.

Por fim, a Câmara reforçou que a cassação não teve motivação política, mas foi um cumprimento rigoroso da ordem judicial, lembrando que este tipo de perda de mandato é automático e não depende de deliberação do Poder Legislativo.

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