Apesar do apoio de 90% da comunidade, críticas surgem sobre a oferta limitada de imóveis na área central de São Paulo
Gabriela Thier Publicado em 15/05/2025, às 18h05
As administrações lideradas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, formalizaram nesta quinta-feira (15) um acordo com foco na habitação dos residentes da favela do Moinho, situada na capital paulista. Este novo plano de reassentamento visa atender aproximadamente 800 famílias que habitam a região, embora tenha gerado reações adversas entre alguns moradores, culminando em manifestações e confrontos com as forças policiais.
O acordo estabelece que cada família receberá um valor total de R$ 250 mil destinado à aquisição de novas moradias. A divisão dos recursos será feita com a União contribuindo com R$ 180 mil e o governo estadual com R$ 70 mil. Além disso, os dois lados concordaram em reiniciar as conversações sobre a transferência da área para o estado, que tem planos para a construção de um parque na localidade.
O programa é voltado para famílias cuja renda mensal não ultrapasse R$ 4.700. No entanto, é importante notar que a média de rendimento das famílias residentes no Moinho gira em torno de R$ 2.000. Os beneficiários terão autonomia para escolher sua nova moradia na cidade e receberão um auxílio mensal de R$ 1.200 enquanto aguardam a finalização da compra. Aproximadamente 180 famílias que previamente aceitaram uma proposta também poderão adquirir imóveis sem qualquer custo.
No novo arranjo, os moradores que optarem por deixar a comunidade receberão uma carta de crédito no valor de até R$ 250 mil, que poderá ser utilizada para a compra de apartamentos financiados pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU). Contudo, cerca de 30% dos residentes manifestaram dificuldades financeiras para participar do programa, sendo necessário comprovar uma renda mínima de R$ 1.518.
Ainda existem críticas sobre a limitação na oferta de imóveis disponíveis na área central da cidade. Apesar de o governo estadual relatar que 90% da comunidade se mostrou favorável ao cadastramento para o reassentamento, os conflitos entre os moradores e a Polícia Militar continuam, resultando em interrupções no serviço da Linha 8-Diamante do transporte ferroviário.