De acordo com o processo, cerca de 300 trabalhadores foram contratados de forma irregular para abrir áreas de pastagem e desmatar a floresta
Redação Publicado em 30/08/2025, às 14h52
O Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinou, na sexta-feira (29), que a Volkswagen pague R$ 165 milhões em indenização por danos morais coletivos. A decisão decorre da constatação de que trabalhadores foram submetidos a condições análogas à escravidão em uma fazenda da companhia na Amazônia, entre 1974 e 1986. A propriedade era controlada por uma subsidiária da montadora alemã e utilizada para atividades de pecuária e exploração de madeira.
Em nota, a Volkswagen Brasil declarou que vai recorrer da sentença. A empresa ressaltou que, em mais de sete décadas de atuação no país, sempre seguiu as leis trabalhistas e defendeu a dignidade humana.
A investigação foi iniciada em 2019 pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), após a entrega de documentos por um padre que acompanhava denúncias sobre o caso há anos. Em 2024, após novas apurações e depoimentos, o MPT apresentou a denúncia contra a montadora. Segundo os procuradores, trata-se da maior condenação já aplicada no Brasil em processos dessa natureza.
De acordo com o processo, cerca de 300 trabalhadores foram contratados de forma irregular para abrir áreas de pastagem e desmatar a floresta. Eles eram vigiados por seguranças armados, viviam em alojamentos degradantes, recebiam pouca comida e permaneciam presos ao trabalho por dívidas. Não havia qualquer tipo de assistência médica, mesmo diante de doenças como a malária.