Com 1,6 milhão de crianças a serem vacinadas, Unicef enfrenta dificuldades devido a itens retidos na alfândega
Gabriela Thier Publicado em 11/11/2025, às 15h53
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) expressou preocupação nesta terça-feira (11) com a restrição imposta por Israel à entrada de itens fundamentais em Gaza, que incluem seringas necessárias para a vacinação infantil e mamadeiras. A entidade relatou que a ajuda humanitária destinada aos necessitados no território devastado pela guerra está sendo severamente limitada.
Durante um delicado cessar-fogo, o Unicef enfrenta grandes dificuldades na execução de uma campanha de vacinação em massa, visando imunizar 1,6 milhão de crianças. A organização revelou que mais de 1,6 milhão de seringas e geladeiras solares para conservação das vacinas estão retidas em processo alfandegário desde agosto.
Ricardo Pires, porta-voz do Unicef, comentou: "Ambos os itens, seringas e geladeiras, são classificados como de uso duplo por Israel, resultando em complicações para a sua liberação e inspeção, apesar da urgência da situação". O termo "uso duplo" refere-se a materiais que podem ter aplicações tanto civis quanto militares, segundo as autoridades israelenses.
O Cogat, órgão militar responsável pelo monitoramento da ajuda humanitária em Gaza, ainda não se pronunciou sobre o assunto. Em declarações anteriores, alegou que não impõe restrições à entrada de alimentos, água e suprimentos médicos, além de responsabilizar o Hamas por supostos roubos de assistência humanitária — acusações que o grupo palestino refuta.
No último domingo (9), o Unicef deu início à primeira fase de uma campanha de imunização destinada a mais de 40 mil crianças com menos de três anos que não receberam as vacinas essenciais contra doenças como poliomielite, sarampo e pneumonia, após dois anos de conflitos em Gaza. No primeiro dia da campanha, foram vacinadas mais de 2.400 crianças.
Pires enfatizou: "A vacinação já começou; no entanto, ainda restam duas fases a serem realizadas e precisamos urgentemente de mais suprimentos".
A organização destacou que embora haja um aumento na entrada de ajuda humanitária em Gaza, muitos itens críticos continuam a ser barrados pelas autoridades israelenses. Isso inclui cerca de 938 mil frascos de fórmula infantil pronta para uso e peças sobressalentes para caminhões destinados ao transporte de água.
Em coletiva de imprensa realizada em Genebra, Pires alertou: "Quase um milhão de garrafas poderiam estar chegando às crianças afetadas por diferentes níveis de desnutrição".
A trégua estabelecida em 10 de outubro visa facilitar um aumento significativo na ajuda humanitária para a região; no entanto, as agências responsáveis têm reiterado que o volume atual não é suficiente para atender às necessidades da população local, estimada em 2 milhões de pessoas, muitas das quais estão deslocadas e enfrentando desnutrição.