Casa Branca divulgou novos documentos sobre supostas falhas no sistema eleitoral americano, enquanto governo chinês negou qualquer participação no processo
Julio Cezar Souza Publicado em 17/07/2026, às 10h26
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a afirmar que a China interferiu nas eleições presidenciais de 2020, vencidas pelo democrata Joe Biden. As declarações foram acompanhadas da divulgação, pela Casa Branca, de uma página dedicada à integridade eleitoral, reunindo documentos de inteligência e alegações sobre supostas vulnerabilidades no sistema de votação americano.
Segundo o governo americano, autoridades chinesas teriam obtido ilegalmente cerca de 220 milhões de registros de eleitores antes da eleição de 2020. De acordo com a Casa Branca, os dados incluiriam nomes, endereços, telefones, filiação partidária e outras informações utilizadas no cadastro eleitoral, que poderiam ser exploradas para atividades consideradas ilícitas.
O material divulgado também afirma que uma análise do Departamento de Segurança Interna identificou aproximadamente 278 mil pessoas sem cidadania americana registradas para votar em eleições federais. A administração Trump sustenta que o número pode ser ainda maior porque alguns estados não compartilharam seus bancos de dados eleitorais com o governo federal.
Na publicação, a Casa Branca também afirma que governos estrangeiros possuem acesso a registros de eleitores americanos e que sistemas de votação estariam vulneráveis a ataques cibernéticos. O governo defende mudanças na legislação eleitoral, incluindo a exigência de documento de identificação para votação, comprovação de cidadania e regras mais rígidas para o voto pelo correio.
As acusações retomam alegações feitas por Trump desde o resultado das eleições de 2020. Na época, auditorias, recontagens de votos, decisões judiciais e investigações conduzidas por autoridades estaduais e federais concluíram que não foram encontradas evidências de fraude em escala suficiente para alterar o resultado do pleito.
As alegações também serviram de base para a mobilização de apoiadores do então presidente, culminando na invasão do Capitólio, em Washington, em 6 de janeiro de 2021, durante a sessão que certificava a vitória de Joe Biden. O episódio resultou na interrupção temporária dos trabalhos do Congresso e em centenas de processos criminais contra os envolvidos.
O governo chinês respondeu às declarações nesta sexta-feira (17) e negou qualquer interferência nas eleições americanas.
Em nota divulgada pela embaixada da China em Washington, o país afirmou que nunca participou nem pretende participar do processo eleitoral dos Estados Unidos.
"A China nunca interferiu e jamais interferirá nas eleições presidenciais dos EUA", declarou a representação diplomática.
A resposta foi divulgada após a Casa Branca reiterar a acusação de que autoridades chinesas teriam obtido milhões de registros de eleitores americanos antes da disputa presidencial de 2020. O governo dos Estados Unidos sustenta que os dados poderiam ser utilizados para atividades ilícitas, enquanto Pequim nega qualquer envolvimento nas alegações apresentadas pela administração Trump.