Tremor atingiu a província de Kumamoto, provocou desabamentos, incêndios, apagões e graves interrupções no transporte. Alerta de tsunami foi retirado, mas equipes ainda procuram pessoas nos escombros.
Ana Beatriz Silva Publicado em 28/07/2026, às 11h17
Um terremoto de magnitude 7,1 atingiu nesta terça-feira, 28 de julho, a província de Kumamoto, na ilha de Kyushu, no sul do Japão. O forte abalo provocou desabamentos, incêndios, danos em estradas e pontes, interrupções no transporte e cortes no fornecimento de energia elétrica.
Segundo a Agência Meteorológica do Japão, o terremoto ocorreu por volta das 16h27 no horário local, a uma profundidade aproximada de 10 quilômetros. O tremor alcançou o nível 7, o mais elevado da escala japonesa de intensidade sísmica, em localidades de Kumamoto.
Até o momento, ao menos 90 pessoas foram atendidas com ferimentos, sendo dez em estado grave, de acordo com informações divulgadas por autoridades e agências internacionais. O número de vítimas, entretanto, ainda pode aumentar à medida que avançam as operações de busca e resgate.
Uma das situações mais preocupantes ocorreu no Aeon Mall, no município de Kashima. Parte do segundo andar do centro comercial desabou depois que testemunhas relataram um forte barulho semelhante a uma explosão. Entre 20 e 30 funcionários estariam desaparecidos ou presos no interior do prédio, segundo informações preliminares. Equipes de emergência trabalham entre os escombros, mas as réplicas dificultam o acesso às áreas mais instáveis.
Cerca de 200 pessoas conseguiram deixar o shopping antes do colapso mais grave. O empreendimento havia sido reinaugurado em junho de 2026, após passar por obras de reconstrução e reforço estrutural relacionadas aos terremotos que atingiram Kumamoto em 2016.
O terremoto também provocou rachaduras em rodovias, danos a pontes e o desabamento de construções. Imagens da emissora pública NHK mostraram prédios em chamas, vias deformadas e um trem descarrilado na região de Yatsushiro. Partes das muralhas do histórico Castelo de Kumamoto também foram danificadas.
Aproximadamente 48 mil imóveis ficaram sem energia elétrica e cerca de 300 mil moradores receberam orientações para deixar áreas consideradas vulneráveis. O governo mobilizou milhares de integrantes das Forças de Autodefesa para auxiliar nas buscas, avaliar os danos e apoiar as populações atingidas.
Os serviços ferroviários foram suspensos em diversas áreas de Kyushu, incluindo linhas de alta velocidade. O Aeroporto de Aso Kumamoto também interrompeu as operações, enquanto voos foram desviados para outras cidades. Grandes empresas instaladas na região, como TSMC, Sony, Honda e Toyota, evacuaram funcionários e paralisaram temporariamente suas atividades para realizar inspeções de segurança.
Logo após o terremoto, as autoridades emitiram um alerta para a possibilidade de ondas de até um metro nos mares de Ariake e Yatsushiro. A orientação era para que moradores permanecessem afastados da costa. O aviso foi retirado cerca de duas horas depois, sem registro de um tsunami significativo.
As usinas nucleares localizadas próximas à área afetada foram inspecionadas e, até agora, não apresentaram anormalidades. A Agência de Regulação Nuclear do Japão informou que as unidades de Sendai e Genkai continuavam em condições seguras.
A chefe do governo japonês, Sanae Takaichi, determinou que os órgãos nacionais priorizassem o resgate de vítimas e trabalhassem em coordenação com os governos locais. Ela também pediu que os moradores permanecessem em locais seguros e alertou para a possibilidade de novos tremores de intensidade semelhante ao longo dos próximos dias.
Kumamoto já havia sido atingida por uma sequência de terremotos em abril de 2016. Na ocasião, dois fortes abalos alcançaram o nível máximo da escala sísmica japonesa, deixando dezenas de mortos, mais de 1,8 mil feridos e milhares de construções destruídas ou danificadas.
O Japão está localizado no chamado Círculo de Fogo do Pacífico, uma extensa região marcada pelo encontro de placas tectônicas e pela elevada ocorrência de terremotos e atividades vulcânicas. As autoridades seguem monitorando as réplicas e recomendam que os moradores não retornem a prédios danificados antes da realização de inspeções.