Empresa informa que revisão dos planos será suficiente para obter autorização ambiental
Gabriela Nogueira Publicado em 26/09/2025, às 19h43
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) concedeu autorização à Petrobras para iniciar a perfuração na Margem Equatorial, após a empresa realizar ajustes necessários em seus planos de operação.
Recentemente, a Petrobras informou que a licença para operar na Foz do Amazonas está prestes a ser emitida, dependendo apenas da revisão de documentos conforme exigido pelo Ibama. A estatal confirmou que apresentaria os planos revisados na sexta-feira, 26 de agosto.
Em comunicado, a Petrobras destacou que o Ibama sinalizou que a emissão da licença incluirá a solicitação de um novo simulado, que deverá ser realizado durante a fase de perfuração do poço, um procedimento padrão nos processos de licenciamento ambiental.
A aprovação do Ibama segue após um teste realizado em agosto pela Petrobras, parte de um amplo simulado de emergência requerido para obter a licença de perfuração. Apesar da aprovação, o órgão ambiental identificou falhas nas ações referentes ao resgate de animais durante o exercício, conforme detalhado em um relatório técnico.
No documento, o Ibama alertou que o plano apresentado pela Petrobras não garante adequadas medidas para o resgate de animais contaminados em caso de vazamento de óleo, o que poderia resultar em significativa perda de biodiversidade. "O plano proposto não é capaz de assegurar ações apropriadas para atender os animais afetados", enfatizou o órgão.
Em resposta às críticas, a Petrobras recebeu o relatório do Ibama como positivo. Um representante da empresa, que preferiu permanecer anônimo, afirmou que a concessão da licença é "inevitável".
A área designada para a perfuração pela Petrobras é considerada uma das mais promissoras para exploração de petróleo e gás no Brasil, devido à sua geologia semelhante à da Guiana, onde grandes campos estão sendo desenvolvidos pela Exxon Mobil.
O parecer técnico do Ibama relatou incidentes ocorridos durante o simulado, incluindo problemas na logística do transporte de brinquedos plásticos representando animais para um centro veterinário em Oiapoque. A operação foi marcada por um barco preso em uma rede de pesca e outro encalhado em um banco de areia, além de quase colisões entre embarcações.
Os brinquedos foram finalmente entregues ao centro veterinário antes do prazo estipulado. No entanto, o Ibama observou que barcos não autorizados foram utilizados durante as operações e que os pilotos careciam dos equipamentos de segurança adequados.
Com a necessidade da Petrobras apresentar um novo plano para avaliação pelo Ibama e com a iminência da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), prevista para novembro em Belém, especialistas do setor consideram improvável que a licença seja concedida antes desse evento. Um profissional da área declarou: "Ainda há um longo caminho pela frente; a COP30 pode complicar ainda mais essa situação".