Descoberta ocorreu pouco tempo após o degelo da área
William Oliveira Publicado em 12/10/2024, às 08h31
Um enigma centenário no mundo do montanhismo pode estar prestes a ser desvendado com a descoberta de um pé humano no Monte Everest, acreditado como pertencente ao alpinista britânico Andrew Comyn "Sandy" Irvine, desaparecido há quase 100 anos. A revelação, que reacendeu discussões sobre um dos maiores mistérios do esporte, ocorreu durante uma expedição de filmagem da National Geographic.
Em junho de 1924, Irvine e seu parceiro de escalada, George Mallory, embarcaram em uma ousada tentativa de conquistar o cume do Everest. No entanto, os dois desapareceram sem deixar vestígios. O corpo de Mallory foi recuperado em 1999, mas o paradeiro de Irvine permaneceu desconhecido até agora.
No mês passado, uma equipe liderada pelo renomado aventureiro Jimmy Chin encontrou o pé enquanto descia pela geleira Central Rongbuk, na face norte do Everest. O pé, descoberto devido ao derretimento do gelo, estava dentro de uma bota identificada com as iniciais "A.C. Irvine", segundo a equipe de filmagem.
A possibilidade de que Irvine e Mallory tenham alcançado o topo do Everest antes mesmo de Edmund Hillary e Tenzing Norgay, em 1953, tem sido objeto de especulação por décadas. Há relatos de que Irvine portava uma câmera durante a expedição que poderia conter evidências fotográficas desse feito histórico.
As autoridades britânicas estão atualmente conduzindo testes de DNA para confirmar a identidade do pé encontrado. A National Geographic informou que a BBC contatou o Departamento de Relações Exteriores britânico para obter comentários sobre o caso.
A equipe de Chin também encontrou um cilindro de oxigênio datado de 1933 nas proximidades, ano em que outra expedição teria localizado um item pertencente a Irvine. Essa descoberta fortuita ocorreu pouco tempo após o degelo da área, estimado em cerca de uma semana antes da expedição.
Preocupados com a preservação do achado e com a presença de aves necrófagas na região, os alpinistas entregaram o pé às autoridades chinesas responsáveis pela área.
Julie Summers, descendente direta de Irvine, expressou sua emoção em um comunicado público após ser informada da descoberta por Chin. Ela descreveu o momento como "extraordinário e comovente", enfatizando a importância dessa revelação para os familiares e para a comunidade alpinista global.
Irvine tinha apenas 22 anos quando desapareceu naquela fatídica expedição que cativou e intrigou o mundo por décadas. A última vez que ele e Mallory foram vistos foi no dia 8 de junho de 1924, enquanto partiam para o cume mais alto do mundo. Desde então, diversas tentativas infrutíferas foram feitas para localizar seus restos mortais.