PAZ

Novo cessar-fogo permite envio de 600 caminhões de ajuda a Gaza

Após dois anos de conflito, Gaza inicia neste domingo (12) o recebimento de ajuda humanitária em larga escala, com a chegada de caminhões de alimentos e suprimentos médicos

Novo cessar-fogo permite envio de 600 caminhões de ajuda a Gaza - Imagem: Reprodução / X / @Timesofgaza

William Oliveira Publicado em 12/10/2025, às 13h13

A partir deste domingo (12), diversas organizações humanitárias intensificam esforços para prestar assistência à população de Gaza, atingida por uma grave crise após dois anos de conflito. A ação ocorre em decorrência de um novo cessar-fogo, em vigor desde a tarde de sexta-feira (10), possibilitado após o Hamas confirmar a liberação de reféns israelenses, prevista para a manhã de segunda-feira (13).

Milhares de palestinos retornam às áreas evacuadas, cujas residências foram em grande parte destruídas. Estima-se que cerca de 90% da população de Gaza, aproximadamente 2 milhões de pessoas, tenha sido deslocada durante o conflito.

 

Segundo os termos da primeira fase do acordo, a ajuda humanitária será enviada em larga escala para atender à situação de fome causada pelo bloqueio israelense. Estima-se o envio de 600 caminhões diários com alimentos e suprimentos médicos, que passarão por inspeção das forças israelenses antes de entrar em Gaza. Atualmente, dezenas de caminhões já circulam pelo lado egípcio da passagem de Rafah, transportando mantimentos, tendas, cobertores, combustível e medicamentos.

Nos meses anteriores, apenas 20% da ajuda necessária havia chegado ao território, devido a confrontos, fechamento das fronteiras e restrições israelenses, segundo estimativas da ONU. Além disso, saques, bombardeios e danos à infraestrutura dificultam a entrega e distribuição de suprimentos.

A situação da Fundação Humanitária de Gaza (GHF), apoiada por Israel e pelos Estados Unidos, permanece incerta. A GHF assumiu a distribuição de alimentos na região, mas relatos indicam que seus pontos de distribuição foram desativados após o novo cessar-fogo. A fundação buscava evitar o controle do Hamas sobre a ajuda humanitária, mas suas operações foram irregulares, resultando em centenas de mortes de palestinos atingidos por disparos israelenses nos centros de distribuição.

Neste domingo, também foram realizados preparativos para a liberação de reféns israelenses mantidos em Gaza e de prisioneiros palestinos detidos em Israel. Cerca de 20 dos 48 reféns ainda estariam vivos. Uma força-tarefa internacional será mobilizada para localizar corpos de reféns falecidos que não forem devolvidos dentro de 72 horas. Quanto aos prisioneiros palestinos, cerca de 2 mil devem ser libertados, incluindo 250 condenados à prisão perpétua e outros detidos sem acusações formais.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que atuou como mediador do cessar-fogo, chegará a Israel na manhã de segunda-feira para se reunir com famílias de reféns e fazer pronunciamento no Knesset. Posteriormente, seguirá ao Egito para co-presidir uma cúpula de paz com líderes mundiais, incluindo Abdel-Fattah el-Sissi, António Guterres, Keir Starmer, Giorgia Meloni, Pedro Sánchez e Emmanuel Macron.

Embora haja otimismo quanto à suspensão inicial das hostilidades e à troca de reféns, o futuro do cessar-fogo ainda é incerto, especialmente em relação à governança de Gaza e ao papel do Hamas após o conflito.

O conflito teve início em 7 de outubro de 2023, quando o Hamas atacou o sul de Israel, resultando na morte de cerca de 1.200 pessoas e captura de 250 reféns. A resposta militar israelense deixou mais de 67 mil mortos entre palestinos em Gaza, segundo dados do Ministério da Saúde local.

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