Cientistas identificaram minerais em rochas de Marte que, na Terra, estão ligados a ambientes com atividade microbiana
William Oliveira Publicado em 10/09/2025, às 13h10
Uma análise de uma amostra de rocha coletada pelo robô Perseverance, em Marte, revelou minerais que, na Terra, costumam estar associados a ambientes influenciados por microrganismos. O achado, feito na rocha conhecida como Sapphire Canyon, foi divulgado nesta quarta-feira (10) na revista Nature e será detalhado pela NASA em coletiva de imprensa.
O administrador interino da agência, Sean Duffy, destacou a relevância da descoberta: “É o mais perto que já chegamos de encontrar vida em Marte”.
Os cientistas identificaram dois minerais-chave: vivianita (fosfato de ferro) e greigita (sulfeto de ferro). Na Terra, ambos aparecem em ambientes aquáticos como deltas de rios e lagoas, onde a decomposição de matéria orgânica é frequentemente impulsionada por micróbios.
Especialistas consideram a descoberta um dos indícios mais fortes de que Marte pode ter abrigado vida microscópica no passado. A amostra foi coletada em julho de 2024, na região de Neretva Vallis, um antigo vale ligado à cratera Jezero, que há bilhões de anos abrigou um lago.
Segundo Joel Hurowitz, cientista planetário da Universidade Stony Brook e autor principal do estudo, as reações químicas que formaram os minerais parecem ter ocorrido logo após a deposição de lama no fundo do lago.
“Na Terra, reações como essas, que combinam matéria orgânica e compostos químicos na lama para formar novos minerais como vivianita e greigita, são frequentemente impulsionadas pela atividade de micróbios”, explicou.
Desde fevereiro de 2021, o Perseverance já coletou 30 amostras em tubos selados, restando espaço para mais seis. Parte desse material deve ser trazida à Terra pela futura missão conjunta entre a NASA e a Agência Espacial Europeia (ESA), chamada Mars Sample Return.
A missão, considerada prioridade para a ciência planetária, enfrenta cortes orçamentários e atrasos que elevaram os custos de US$ 5 bilhões para mais de US$ 11 bilhões. A agência agora reavalia o projeto, buscando alternativas que mantenham o orçamento próximo de US$ 7 bilhões.
Retorno
A previsão é que as primeiras amostras retornem à Terra entre 2035 e 2039. Duas opções estão em análise: o uso de métodos já testados em pousos de rovers maiores ou a aposta em novas tecnologias comerciais para facilitar o transporte.
Planos anteriores incluíam o envio de um novo robô da ESA para auxiliar na coleta, mas o design final da missão deve ser anunciado no próximo ano. A NASA também informou que o veículo encarregado de levar as amostras à órbita marciana será menor que o projetado inicialmente.