O comitê destacou seu trabalho incansável em prol da liberdade e dos direitos do povo venezuelano em um contexto de autoritarismo
William Oliveira Publicado em 10/10/2025, às 10h04
O Comitê Norueguês do Nobel anunciou nesta sexta-feira (10) a concessão do Prêmio Nobel da Paz à líder opositora Maria Corina Machado, em reconhecimento ao seu papel de destaque na defesa dos direitos democráticos do povo venezuelano.
Em comunicado oficial, o comitê destacou que a premiação foi concedida “por seu trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos para o povo da Venezuela”.
Durante o anúncio em Oslo, o presidente do Comitê, Jørgen Watne Frydnes, afirmou que Maria Corina é “uma das figuras mais notáveis de coragem civil na América Latina nos últimos tempos”. Ele acrescentou:
“Quando os autoritários tomam o poder, é crucial reconhecer os corajosos defensores da liberdade que se levantam e resistem.”
A escolha de Machado reforça o simbolismo de sua trajetória política marcada por perseguições, ameaças e processos judiciais impostos pelo governo de Nicolás Maduro. Em 2024, ela havia se lançado como candidata à Presidência da Venezuela, mas foi impedida de concorrer pelo regime, optando por apoiar o candidato opositor Edmundo González Urrutia.
Após as eleições de 28 de julho, a líder passou à clandestinidade, sendo detida brevemente durante uma manifestação em 10 de janeiro, véspera da posse de Maduro. O Conselho Nacional Eleitoral (CNE), controlado pelo governo, declarou Maduro vencedor, mas não divulgou as atas eleitorais, alegando um suposto ataque cibernético.
A oposição, entretanto, apresentou atas coletadas por observadores e afirma que González Urrutia venceu o pleito, contando com apoio internacional, especialmente dos Estados Unidos, que o reconhecem como o presidente eleito da Venezuela.
O Prêmio Nobel da Paz, avaliado em 11 milhões de coroas suecas, será entregue em Oslo, no dia 10 de dezembro, data que marca o aniversário da morte do fundador do prêmio, Alfred Nobel. O Comitê, no entanto, não confirmou a presença de Maria Corina Machado na cerimônia, devido às ameaças à sua segurança.