China e Rússia

Kaja Kallas critica reunião de líderes em Pequim como ameaça à ordem global

Líderes da China, Rússia e Coreia do Norte se reúnem em Pequim, desafiando a estrutura normativa do sistema internacional

Líderes da China, Rússia e Coreia do Norte se reúnem em Pequim, desafiando a estrutura normativa do sistema internacional - Imagem: Reprodução / X / @RMSLucasRubio

Gabriela Thier Publicado em 03/09/2025, às 15h58

A reunião realizada em Pequim, que reuniu os líderes da China, Xi Jinping, da Rússia, Vladimir Putin, e da Coreia do Norte, Kim Jong Un, foi classificada como um "desafio direto à ordem internacional" pela chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Kaja Kallas. Em declaração feita nesta quarta-feira (3) em Bruxelas, Kallas afirmou que o encontro não apenas reflete uma oposição ao Ocidente, mas também questiona a estrutura normativa que fundamenta o sistema internacional.

"A guerra da Rússia na Ucrânia conta com o apoio explícito da China. Estas são realidades que a Europa deve enfrentar", ressaltou Kallas, que já ocupou o cargo de primeira-ministra da Estônia.

No decorrer de sua fala, a diplomata destacou a necessidade de a Europa adotar uma postura mais proativa no cenário global. Ela sublinhou que "China e Rússia estão propondo mudanças sem precedentes na arquitetura mundial de segurança", o que pode comprometer o equilíbrio geopolítico existente.

Kallas também criticou a exibição conjunta de Putin, Kim e Xi durante um desfile em Pequim, considerando-a uma demonstração significativa de poder militar e diplomático. "Eles promovem uma visão de paz armada. Isso não representa o conceito de paz para a Europa", enfatizou. Durante o evento, Xi Jinping declarou que seu país é "imbatível", intensificando as tensões internacionais.

Adicionalmente, Kallas abordou o conflito em Gaza, apontando-o como um reflexo da falta de unidade entre os países europeus. A chefe da diplomacia europeia argumentou que a União Europeia não tem aproveitado todo seu potencial geopolítico e, consequentemente, não se posicionou com eficácia em relação à crise. Ela apelou por "coragem política" entre os 27 membros do bloco, que até o momento ainda não conseguiram chegar a um consenso sobre a imposição de sanções a Israel, apesar das repetidas denúncias acerca da situação humanitária alarmante após quase dois anos de conflito.

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