Supostos contatos com o Mossad

Jornal afirma que ex-presidente do Irã está em prisão domiciliar por suspeita de ligação com Israel

Segundo o The New York Times, Ahmadinejad passou a ser monitorado pela Guarda Revolucionária após autoridades identificarem supostas ligações com agentes da inteligência israelense

Mahmoud Ahmadinejad estaria sob custódia da Guarda Revolucionária, afirma jornal americano - Imagem: Reprodução/Ebrahim Noroozi

Julio Cezar Souza Publicado em 14/07/2026, às 10h07

O ex-presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad estaria em prisão domiciliar sob custódia da divisão de inteligência da Guarda Revolucionária Islâmica, segundo informações publicadas pelo jornal americano The New York Times. A reportagem cita autoridades iranianas e americanas que afirmam que o político passou a ser monitorado após o governo identificar supostos contatos entre ele e integrantes da inteligência de Israel.

De acordo com o jornal, a situação de Ahmadinejad permaneceu indefinida desde o início da guerra envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos. As fontes ouvidas pela publicação afirmam que Israel teria desenvolvido, ao longo dos últimos anos, um plano para aproximar o ex-presidente iraniano, com o objetivo de utilizá-lo futuramente em um eventual processo de mudança de regime no país.

Ainda segundo a reportagem, Ahmadinejad teria participado de encontros reservados com agentes israelenses em Budapeste, capital da Hungria. O jornal afirma também que o diretor do Mossad, David Barnea, esteve presente em uma dessas reuniões.

O New York Times relata ainda que, nos primeiros dias do conflito, Ahmadinejad foi retirado de sua residência em Teerã por agentes do Mossad após um ataque aéreo atingir o complexo onde morava. Conforme a publicação, a operação tinha como finalidade preservar sua segurança enquanto um plano político era avaliado, estratégia que, posteriormente, não teria avançado.

Nos primeiros dias da guerra, circularam informações sobre a possível morte do ex-presidente. Na ocasião, a CNN Brasil divulgou notícia baseada na agência estatal iraniana ILNA informando que Ahmadinejad teria morrido durante um ataque aéreo na capital iraniana.

Mandato foi marcado por tensões internacionais
Mahmoud Ahmadinejad comandou o Irã entre 2005 e 2013. Nos primeiros anos de governo, contou com amplo apoio do clero xiita, da Guarda Revolucionária e de setores conservadores do Parlamento.

Durante sua gestão, porém, o programa nuclear iraniano intensificou o isolamento diplomático do país e motivou sucessivas sanções econômicas internacionais, agravando a crise econômica interna.

O ex-presidente também ficou conhecido por declarações consideradas antissemitas e por questionar publicamente o Holocausto, além de adotar uma postura de forte confronto em relação a Israel, fatores que ampliaram o desgaste do Irã na comunidade internacional.

Nos últimos anos de seu mandato, Ahmadinejad perdeu apoio de antigos aliados e passou a enfrentar resistência dentro do próprio regime. As divergências com o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, aumentaram após tentativas de ampliar a influência da Presidência sobre órgãos ligados à estrutura religiosa do país.

Depois de deixar o cargo, ele tentou retornar à política nacional, mas foi impedido pelo Conselho dos Guardiães de disputar as eleições presidenciais realizadas em 2017, 2021 e 2024. Até o momento, as autoridades iranianas não comentaram oficialmente as informações divulgadas pelo jornal americano.

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