O Papa e ONGs criticam a restrição de ajuda em Gaza, destacando a urgência da situação humanitária na região
Gabriela Thier Publicado em 21/05/2025, às 17h16
Na manhã desta quarta-feira (21), um grupo de manifestantes em Israel se posicionou nas proximidades da passagem de Kerem Shalom, na fronteira com a Faixa de Gaza, em um ato de oposição à entrada de ajuda humanitária no território palestino.
Portando cartazes e bandeiras, os protestantes tentaram obstruir o tráfego de caminhões com suprimentos enviados pela ONU, justificando sua ação com a afirmação de que a ajuda estava sendo direcionada ao Hamas. "Estamos aqui para bloquear a ajuda que está indo diretamente para o Hamas em Gaza", disseram.
A polícia interveio na situação, resultando na remoção dos manifestantes e na prisão de alguns deles. Em contraste, um grupo de apoiadores da ajuda humanitária também estava presente no local, tentando garantir a passagem dos caminhões rumo a Gaza, o que gerou momentos de tensão entre os dois lados.
Um dos defensores da assistência humanitária declarou: "Viemos aqui esta manhã porque recebemos relatos de que a extrema direita pretende bloquear os caminhões de ajuda. A situação em Gaza é crítica e nossos reféns estão sem comida. Queremos garantir que as condições melhorem lentamente e que possamos pôr fim a esta guerra".
A pressão por mais assistência humanitária continua crescente. O Papa Leão XIV, durante sua audiência geral na Praça de São Pedro, fez um apelo enfático para que Israel facilite a entrada de mais ajuda humanitária em Gaza. Ele descreveu a situação no enclave palestino como "ainda mais preocupante e triste" e solicitou que as hostilidades fossem interrompidas, ressaltando que as crianças, idosos e doentes são os mais afetados pela crise atual.
Este pedido do Papa coincide com as críticas levantadas pela organização não governamental Médicos Sem Fronteiras (MSF), que denunciou Israel por restringir severamente a entrada de assistência humanitária, afirmando que a quantidade permitida é "ridiculamente insuficiente" e serve apenas para evitar a acusação de causar fome em massa.
Nesta terça-feira, a ONU anunciou ter recebido autorização israelense para permitir a entrada de cerca de 100 caminhões com suprimentos. No entanto, até o início da quarta-feira, nenhuma assistência havia sido distribuída aos palestinos. Na segunda-feira anterior, Israel havia autorizado a entrada de apenas cinco caminhões após mais de dois meses de bloqueio.
Tom Fletcher, diretor de ajuda humanitária da ONU, comentou sobre a situação à rede britânica BBC, afirmando que as quantidades liberadas são "uma gota no oceano". Segundo dados da ONU, aproximadamente 2,3 milhões de palestinos na Faixa de Gaza necessitam urgentemente de pelo menos 500 caminhões diários para atender suas necessidades básicas.
A crescente preocupação com a segurança alimentar na região é alarmante; especialmente em relação às crianças e bebês. Fletcher alertou que até 14 mil recém-nascidos podem perder suas vidas nas próximas 48 horas se a ajuda humanitária adequada não for enviada para Gaza.