PALESTINA

Israel retoma envio aéreo de comida a Gaza diante de alerta sobre fome em massa

Em meio à crise humanitária, lançamentos aéreos de alimentos são retomados e corredores humanitários serão criados para facilitar a chegada de ajuda à população

Ajuda humanitária começa a chegar a Gaza em meio à crise - Imagem: Mohammed Abed | AFP

Lívia Gennari Publicado em 26/07/2025, às 18h00 - Atualizado em 27/07/2025, às 02h37

Em meio ao agravamento da crise humanitária na Faixa de Gaza, o Exército de Israel anunciou neste sábado (26) a retomada dos lançamentos aéreos de ajuda alimentar no território palestino.

A medida foi anunciada poucos dias depois de mais de 100 organizações humanitárias alertarem sobre a crescente fome em massa que afeta os mais de dois milhões de habitantes da região.

De acordo com o comunicado das Forças de Defesa de Israel, os lançamentos incluirão sete paletes de suprimentos contendo farinha, açúcar e alimentos enlatados, fornecidos por organizações internacionais. A ajuda será distribuída por via aérea, prática que já foi utilizada anteriormente durante o conflito que se arrasta desde 7 de outubro de 2023, quando um ataque do Hamas deixou 1.200 israelenses mortos e outros 250 foram sequestrados.

Além da retomada dos lançamentos, Israel informou que irá estabelecer corredores humanitários com o objetivo de permitir a movimentação segura de comboios da Organização das Nações Unidas (ONU), responsáveis pela entrega de alimentos e medicamentos à população local. A iniciativa ocorre em meio a crescente pressão internacional para que o governo israelense amplie o acesso de ajuda à região.

Mortes por fome aumentam

Segundo o Ministério da Saúde da Palestina, controlado pelo Hamas, ao menos cinco pessoas morreram de fome e desnutrição nas últimas 24 horas em hospitais de Gaza, elevando para 127 o total de vítimas por esses motivos desde o início da guerra, entre elas, 85 são crianças. No mesmo período, outras 29 pessoas teriam morrido em decorrência de ataques israelenses, segundo o mesmo órgão.

A ONU classifica a situação atual em Gaza como um "show de horrores". Em entrevista à BBC, o porta-voz do Escritório de Direitos Humanos da ONU, Thameen Al-Kheetan, afirmou que mais de mil palestinos já morreram tentando conseguir alimentos: 766 nas proximidades de instalações da Global Humanitarian Foundation (GHF) e 288 perto de comboios de ajuda humanitária.

Ainda neste sábado (26), estava prevista a entrada de seis caminhões do UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), carregando suprimentos médicos para hospitais locais. Embora os veículos não transportem alimentos, o governo palestino destacou a importância do material para salvar vidas diante da escassez generalizada de recursos médicos.

Desde o início da ofensiva militar israelense, mais de 59.100 palestinos foram mortos, a maioria civis, segundo o Ministério da Saúde de Gaza. A escalada de violência e o bloqueio contínuo da Faixa de Gaza têm causado profunda devastação humanitária, comprometendo ainda mais as condições de vida da população local. Diante do agravamento da situação, cresce a pressão internacional por uma resposta urgente e efetiva que garanta a rápida entrega de ajuda humanitária aos civis.

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