Em meio à tensão geopolítica, Teerã reafirma que seguirá desenvolvendo tecnologia atômica ‘para fins pacíficos’
Lívia Gennari Publicado em 15/06/2025, às 17h24
Apesar dos recentes bombardeios israelenses contra instalações nucleares, o governo do Irã afirmou neste domingo (15), que segue “forte e determinado” no avanço de seu programa atômico. A declaração foi feita pela Organização de Energia Atômica do Irã (AEOI), que publicou um comunicado oficial reforçando o compromisso do país com o desenvolvimento de tecnologia nuclear “para fins pacíficos”.
“Estamos comprometidos em avançar poderosamente a tecnologia nuclear pacífica por meio da dedicação de nossos cientistas. Ataques inimigos desesperados e fúteis se mostram impotentes contra a vontade inabalável da nossa nação”, afirmou a agência em publicação na rede X (antigo Twitter).
O Irã confirmou que três instalações nucleares foram atingidas: Fordow, Isfahan e Natanz, esta última sendo conhecida pela produção de urânio enriquecido a 60%. O governo iraniano, no entanto, minimizou os impactos dos ataques e garantiu que os danos foram “não significativos”.
Impasse diplomático
A escalada acontece em meio a uma tensão crescente entre Teerã e o Ocidente. Desde que reassumiu a presidência dos Estados Unidos, Donald Trump adotou uma política de “pressão máxima” contra o Irã, com sanções econômicas e diplomáticas para conter o programa nuclear do país.
Em abril, norte-americanos e iranianos iniciaram negociações indiretas sobre um possível novo acordo nuclear. Washington condiciona a retirada das sanções ao fim do enriquecimento de urânio por parte de Teerã. O governo iraniano, por sua vez, considera a exigência inaceitável, alegando que sua tecnologia é voltada exclusivamente a fins civis, como a geração de energia e a pesquisa médica.
Após os bombardeios de Israel, o Irã anunciou que não participará da próxima rodada de negociações, que ocorreria em Omã. A decisão deve aprofundar o impasse diplomático entre as partes.
Ameaça militar
Israel justificou os ataques recentes com base na suspeita de que o Irã estaria buscando desenvolver armas nucleares. Nos últimos anos, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) alertou sobre o aumento dos níveis de enriquecimento de urânio no país, o que acendeu preocupações da comunidade internacional.
Teerã nega as acusações e afirma que o uso militar de armamentos nucleares é proibido no país desde 2004, quando o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, emitiu um decreto religioso (fatwa) proibindo esse tipo de armamento.
Enquanto isso, o avanço do programa nuclear iraniano e a deterioração das negociações alimentam temores de uma nova escalada militar no Oriente Médio.