Equipes evacuaram o Pavilhão dos Países após fogo em estande, um dia depois de alerta formal da ONU sobre falhas no local
Gabriela Nogueira Publicado em 20/11/2025, às 15h39
Um incêndio no Pavilhão dos Países interrompeu parte das atividades da COP30 na tarde desta quinta-feira em Belém. As chamas começaram por volta das duas da tarde e se espalharam rapidamente pela estrutura localizada na chamada Zona Azul, área que reúne estandes oficiais de delegações internacionais e organizações envolvidas na agenda climática. A evacuação foi imediata e não houve registro de feridos. Em cerca de meia hora, o fogo foi controlado por equipes de emergência.
A organização da conferência pediu que todos deixassem o local assim que a fumaça começou a se espalhar pelo pavilhão. A UNFCCC, entidade ligada às Nações Unidas e responsável pela realização da COP, informou que o Corpo de Bombeiros iniciou uma avaliação completa da área e que novas atualizações seriam divulgadas ao longo da tarde. Para prevenir novos riscos, o fornecimento de energia foi suspenso em parte dos pavilhões até que as equipes confirmem que o ambiente está seguro.
As primeiras informações indicam que o incêndio teve início em um estande destinado à Índia. O governador do Pará, Helder Barbalho, disse que as investigações iniciais trabalham com duas hipóteses para explicar o incidente. A primeira seria uma falha em um gerador e a segunda um curto-circuito no equipamento elétrico do próprio estande. Imagens gravadas por participantes mostram o interior do pavilhão tomado pela fumaça e áreas escurecidas pelo fogo.
O episódio ocorre em um momento no qual a infraestrutura da conferência já vinha sendo questionada. Na véspera, a ONU enviou uma carta ao governo brasileiro cobrando medidas imediatas para reforçar a segurança e corrigir falhas estruturais. O documento foi encaminhado ao ministro da Casa Civil, Rui Costa, e ao presidente da COP30, André Corrêa do Lago. Segundo o secretário-executivo da UNFCCC, Simon Stiell, uma tentativa de invasão registrada na noite anterior deixou clara a necessidade de respostas mais rápidas das forças estaduais e federais.
Entre os problemas listados pela organização estavam a falta de controle adequado nas entradas, número insuficiente de agentes de segurança e ausência de garantias sobre a atuação imediata de equipes policiais em caso de emergência. Também foram apontados riscos estruturais, como o calor excessivo dentro dos pavilhões, falhas nos sistemas de climatização e preocupações com instalações elétricas próximas a áreas molhadas.
O Pavilhão dos Países é um dos espaços mais movimentados da COP30. Ali ocorrem exposições, palestras e apresentações de iniciativas ambientais promovidas por governos e instituições internacionais, embora não seja o local das negociações oficiais entre chefes de delegação. A interrupção das atividades afetou agendas técnicas importantes e deixou representantes aguardando novas orientações.
As autoridades continuam monitorando a área enquanto tentam identificar com precisão o que provocou o incêndio.