A flotilha busca romper o bloqueio israelense e garantir suprimentos essenciais aos palestinos
Gabriela Thier Publicado em 23/08/2025, às 19h16
Em uma nova ação programada para setembro, a Freedom Flotilla, conhecida como Flotilha da Liberdade, está se preparando para levar ajuda humanitária à região de Gaza, que se encontra sob estrito controle israelense. A situação no território foi classificada como crítica, com a população enfrentando fome severa, conforme indicam os dados da Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar (IPC), uma entidade vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU).
A flotilha, composta por diversas embarcações, partirá de diferentes portos no Mar Mediterrâneo, com chegada prevista a Gaza para o dia 13 de setembro. O primeiro barco zarpará de Barcelona no dia 31 de agosto, seguido por outras embarcações que deixarão Túnis e outros locais ainda não anunciados em 4 de setembro.
Conforme informações divulgadas pela Freedom Flotilla Brasil e pelo Global Movement to Gaza Brasil, entre 8 e 15 ativistas brasileiros estarão a bordo das embarcações, que contarão com a presença de participantes oriundos de 40 países diferentes.
As organizações envolvidas expressaram sua solidariedade com o povo palestino em um comunicado enviado à Agência Brasil: "Nossos corações se solidarizam com o sofrimento do povo Palestino que vive ao primeiro genocídio amplamente televisionado. São centenas de milhares de palestinos feridos ou assassinados, e outros milhões afetados pela inanição, doenças e falta de atendimento médico deliberadamente causados pelo regime sionista".
A iniciativa visa estabelecer um corredor humanitário para garantir o transporte de alimentos, água potável e medicamentos à população palestina. Além disso, busca desafiar o bloqueio israelense sobre Gaza, na tentativa de romper, por meios pacíficos, as restrições impostas que limitam ou proíbem o acesso a suprimentos essenciais.
"É necessária uma ação imediata para o fim do genocídio e o acesso de órgãos internacionais para alimentar o povo palestino", destacam os organizadores.
A missão da Freedom Flotilla Brasil e do Global Movement to Gaza Brasil possui fundamentos legais amparados por medidas provisórias da Corte Internacional de Justiça que proíbem o bloqueio da entrada de ajuda humanitária em Gaza. As resoluções do Conselho de Segurança da ONU também garantem o acesso humanitário à região, além das normas do direito marítimo internacional que proíbem a interceptação de embarcações humanitárias em águas internacionais.
No último mês de junho, uma das embarcações da Flotilha da Liberdade foi interceptada por Israel enquanto se dirigia a Gaza com ajuda humanitária. Doze membros da tripulação, incluindo o brasileiro Thiago Ávila, foram detidos em águas internacionais.
Em resposta à ação militar israelense, o Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) emitiu um comunicado classificando a interceptação como um crime de guerra e solicitou ao governo brasileiro que suspendesse as relações diplomáticas e comerciais com Tel Aviv.