EUA suspendem ajuda à África do Sul após críticas a Israel e ‘confisco’ de terras

A decisão de Trump reflete descontentamento com a nova legislação sul-africana que permite a expropriação de terras sem compensação

A suspensão da assistência dos EUA à África do Sul é uma resposta às práticas de expropriação de terras e críticas ao governo local. - Imagem: Reprodução | X (Twitter) - @WashingtonPost

Marina Milani Publicado em 09/02/2025, às 12h08

Na última sexta-feira (7), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma decisão drástica: a suspensão indefinida de toda a assistência ao governo da África do Sul. A medida foi justificada por acusações de que o governo sul-africano estaria "confiscando" terras pertencentes à minoria branca, além de uma postura crítica em relação ao Estado de Israel.

Em um comunicado oficial, Trump afirmou: "Enquanto a África do Sul persistir em suas práticas injustas e imorais que afetam nossa nação, os Estados Unidos não oferecerão ajuda ou assistência à África do Sul". Essa declaração foi formalizada por meio de uma ordem executiva que reflete o descontentamento da administração americana com as políticas de expropriação de terras em vigor no país africano.

Além disso, o presidente americano expressou seu apoio ao reassentamento nos Estados Unidos de "refugiados afrikaner", referindo-se à minoria branca descendente de colonos holandeses que alegam sofrer discriminação racial sob o governo da África do Sul. Trump mencionou que uma nova legislação aprovada no país permite a expropriação de propriedades agrícolas pertencentes à etnia afrikaner sem a devida compensação, considerando isso um "ultraje contra os direitos dos cidadãos sul-africanos".

A condenação por parte dos Estados Unidos se estendeu às ações da África do Sul no cenário internacional, onde o governo tem adotado posições firmes contra os EUA e seus aliados, incluindo acusações de genocídio dirigidas a Israel perante a Corte Internacional de Justiça (CIJ). Embora Trump já tenha suspendido a ajuda humanitária global por um período inicial de 90 dias, as sanções específicas contra a África do Sul terão duração indeterminada.

A decisão do presidente Trump coincide com a suspensão da participação do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, na reunião dos ministros das Relações Exteriores do G20, programada para acontecer na África do Sul. Nos últimos dias, as críticas da administração Trump ao governo sul-africano aumentaram, especialmente após a promulgação de uma lei pelo presidente Cyril Ramaphosa em 23 de janeiro, que facilita o processo de expropriação de terras para fins de interesse público, desde que haja compensação justa.

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