Representante iraniano elogia manifestação do governo brasileiro contra ofensiva dos Estados Unidos e de Israel e afirma que diálogo com o Brasil segue “natural”.
Redação Publicado em 02/03/2026, às 12h46
O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, agradeceu nesta segunda-feira (2) a posição do governo brasileiro que condenou os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
Durante coletiva realizada na embaixada, em Brasília, Nekounam classificou a manifestação do Brasil como uma “ação valorosa” e afirmou que a posição reforça princípios como soberania, integridade territorial e independência dos Estados.
“Nós recebemos as manifestações do governo brasileiro e agradecemos a condenação dos atos de agressão”, declarou o diplomata, em fala traduzida do persa para o português.
O embaixador afirmou que o diálogo com o Ministério das Relações Exteriores segue normalmente e que as conversas não envolvem interferência de outros países.
Ele também comentou a situação de brasileiros no território iraniano. Segundo informações diplomáticas, uma equipe de futebol formada por brasileiros deixou o país pela fronteira com a Turquia com apoio da Embaixada do Brasil no Irã. Outros cidadãos também receberam assistência consular para deixar a região.
No pronunciamento, Nekounam classificou como “criminoso” um ataque atribuído aos Estados Unidos contra uma escola iraniana e afirmou que o país está preparado para responder militarmente.
Ele também declarou que o Irã não busca guerra, mas reagiu após os bombardeios. Segundo o diplomata, as ações iranianas têm como alvo bases militares americanas e instalações ligadas a Israel.
O conflito ganhou novos contornos após a morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, confirmada pela mídia estatal iraniana após os ataques do fim de semana. A escalada resultou no fechamento do Estreito de Ormuz e elevou a tensão global.
O governo brasileiro divulgou nota manifestando preocupação com a escalada e defendendo a interrupção das ações militares na região do Golfo.
Especialistas avaliam que a posição do Brasil mantém tradição diplomática de defesa da soberania e do direito internacional, ao mesmo tempo em que busca evitar alinhamento automático em conflitos externos.