A saída de Musk foi anunciada pela Casa Branca, levantando questões sobre sua relação com o atual presidente e as críticas à proposta tributária
William Oliveira Publicado em 29/05/2025, às 11h08
O magnata Elon Musk, CEO da Tesla, está se desligando de seu cargo no governo Trump após uma breve e tumultuada atuação à frente do Departamento de Eficiência Governamental (Doge). Apesar de suas ambições de promover uma significativa redução de custos nas agências federais, Musk não conseguiu atingir as metas esperadas durante sua gestão.
A confirmação da saída foi feita por uma autoridade da Casa Branca, que declarou que o desligamento se iniciaria na noite desta quarta-feira (28). Em um gesto de despedida, o bilionário expressou gratidão ao presidente Donald Trump por meio da rede social X, enquanto sua função como funcionário especial se aproximava do fim.
O encerramento de sua passagem pelo governo foi marcado por rapidez e falta de formalidade. Segundo fontes próximas, não houve uma conversa direta entre Musk e Trump antes do anúncio da saída, que foi decidido por instâncias superiores da equipe governamental.
As razões exatas para sua saída permanecem nebulosas. No entanto, um dia antes de sua saída oficial, Musk criticou publicamente a proposta tributária do presidente, chamando-a de excessivamente onerosa e prejudicial aos esforços do Doge. A declaração gerou desconforto entre membros seniores da Casa Branca, levando a equipe a contatar senadores republicanos para reafirmar apoio ao projeto.
Apesar de manter uma relação próxima com Trump, Musk viu sua influência declinar dentro do governo. Desde que emergiu como figura de destaque na administração, se destacou pela abordagem ousada e nada convencional. Em uma apresentação na Conferência de Ação Política Conservadora, brandiu uma motosserra vermelha para simbolizar sua luta contra a burocracia.
Durante sua gestão, Musk prometeu cortar até US$ 2 trilhões em gastos governamentais. No entanto, o Doge estima que as economias reais giram em torno de US$ 175 bilhões — um número ainda não confirmado por fontes independentes.
Frequentemente crítico da burocracia federal, Musk previu que o fim do trabalho remoto resultaria em demissões voluntárias em massa, algo que ele considerava positivo. Contudo, membros do gabinete começaram a questionar suas táticas e resistir às propostas de corte. Isso levou Trump a lembrar que decisões sobre pessoal cabem aos secretários das pastas.
Musk também enfrentou conflitos com figuras influentes do governo, como os secretários Marco Rubio (Estado), Sean Duffy (Transportes) e Scott Bessent (Tesouro), além de trocas públicas de farpas com o assessor comercial Peter Navarro.
Com a crescente frustração pela dificuldade em implementar cortes mais drásticos, Musk passou a sinalizar que reduziria sua atuação no governo. Em uma teleconferência realizada em abril pela Tesla, ele mencionou que dedicaria menos tempo às questões governamentais para focar em seus negócios.
"A situação da burocracia federal é muito pior do que eu imaginava", afirmou Musk ao Washington Post. "Eu sabia que havia problemas, mas é indiscutivelmente uma batalha difícil tentar melhorar as coisas." O mandato de Musk terminaria oficialmente no fim de maio, mas o Doge seguirá sob nova liderança.