Gaza

Ativista brasileiro Thiago Ávila enfrenta deportação de Israel após greve de fome

O Conselho Nacional de Direitos Humanos do Brasil pede suspensão das relações com Israel após a interceptação

O Conselho Nacional de Direitos Humanos do Brasil pede suspensão das relações com Israel após a interceptação - Imagem: Reprodução / X / @tetedefleur

Gabriela Thier Publicado em 11/06/2025, às 17h21

O ativista brasileiro Thiago Ávila, de 38 anos, enfrenta a possibilidade de deportação de Israel até a próxima quinta-feira, 12 de outubro. A informação foi confirmada por um tribunal israelense na manhã desta quarta-feira, 11, após uma audiência que envolveu ativistas da Flotilha da Liberdade detidos em águas internacionais. O caso foi classificado como crime de guerra pelo Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) do Brasil.

Em resposta à sua detenção, considerada por ele um sequestro, Thiago iniciou uma greve de fome na noite anterior, buscando sua libertação imediata.

A confirmação da decisão de deportação veio por meio da família de Thiago, que mantém contato com sua defesa através da organização Adalah, focada na proteção dos direitos humanos em Israel. Até o momento, as autoridades israelenses não permitiram que familiares conversassem pessoalmente com o ativista.

A esposa de Thiago, Lara Souza, relatou à Agência Brasil que a corte decidiu pela deportação mesmo diante dos argumentos da defesa, que solicitava a libertação imediata dos ativistas, alegando que não haviam cometido crimes. "O prazo estabelecido pelas leis israelenses é de 72 horas após a detenção, mas foi marcada uma nova audiência para o dia 8 de julho caso eles ainda não tenham sido deportados. Portanto, seguimos apreensivos até termos uma data definida para o retorno", afirmou Lara.

Os oito ativistas ainda detidos receberam informações de que estão banidos de Israel por um período de 100 anos, conforme comunicado da Flotilha.

Diferente da ativista ambiental sueca Greta Thunberg, que foi deportada imediatamente por ter assinado um documento admitindo ter cometido um crime ao tentar entrar em Israel sem autorização, Thiago se recusou a assinar tal declaração. Luciana Palhares, membro da Flotilha da Liberdade Brasil e que está em contato com a defesa do ativista em Temleh, explicou: "Ele é um preso político e não aceitou assumir culpa por qualquer crime. Eles foram sequestrados por Israel em águas internacionais". A Flotilha ressaltou que outros membros concordaram em assinar para poder retornar aos seus países e denunciar a situação.

Thiago e outros 11 ativistas foram detidos enquanto tentavam levar alimentos e medicamentos à Faixa de Gaza, que enfrenta um bloqueio imposto por Israel há mais de três meses, resultando em sérias crises humanitárias e fome para quase dois milhões de palestinos.

O governo brasileiro manifestou preocupação com a situação e acompanhou a audiência judicial envolvendo Thiago. Em uma nota divulgada na noite anterior, o Itamaraty condenou a interceptação da embarcação dos ativistas em águas internacionais e fez um apelo pela libertação do cidadão brasileiro. O ministério também instou Israel a garantir o bem-estar e a saúde do ativista.

Crime de Guerra

O Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) publicou uma nota afirmando que a interceptação do navio Medeleine pela força militar israelense constitui um crime de guerra e pediu ao governo brasileiro que suspenda suas relações diplomáticas e comerciais com Tel Aviv. O CNDH declarou: "A interceptação de uma embarcação civil com fins humanitários em águas internacionais representa uma grave violação dos tratados internacionais ratificados por Israel e configura um crime de guerra no contexto atual".

Reação do Governo Israelense

Em resposta às críticas sobre a prisão dos ativistas, o governo israelense divulgou imagens deles e fez referência ao barco como "Iate Selfie", ressaltando que as pequenas quantidades de alimentos seriam enviadas a Gaza através de "canais humanitários reais". O Ministério das Relações Exteriores israelense afirmou: "Mais de 1.200 caminhões de ajuda humanitária entraram em Gaza vindos de Israel nas últimas duas semanas, totalizando cerca de 11 milhões de refeições transferidas diretamente aos civis na região. Existem maneiras adequadas para fornecer ajuda à Faixa de Gaza que não envolvem provocações ou selfies".

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