Escalada

Ataque do Irã a base dos EUA na Jordânia mata dois militares americanos

Comando Central das Forças Armadas confirma mortes ocorridas na sexta-feira (17); um militar segue desaparecido em meio à escalada entre Teerã e Washington

Conflitos continuam com bombardeios americanos em instalações iranianas e retaliações contra aliados dos EUA no Golfo, incluindo o Kuwait - Imagem: Reprodução/Nathan Mitchell/Marinha dos Estados Unidos

Letícia Sales Publicado em 18/07/2026, às 19h21

Dois militares americanos morreram em um ataque do Irã a uma base dos Estados Unidos na Jordânia, informou neste sábado (18) o Comando Central das Forças Armadas do país (CentCom). As mortes teriam ocorrido na sexta-feira (17), e um militar é considerado desaparecido.

Trump lamenta mortes

Em entrevista à NewsNation, o presidente Donald Trump lamentou o ocorrido: "Muito triste. Odiamos ver isso acontecer. É em serviço ao nosso país".

Ataque destruiu caças e danificou helicópteros

Na sexta-feira à noite, a Guarda Revolucionária afirmou ter destruído ao menos dois caças americanos e outras três aeronaves durante uma ofensiva com mísseis e drones contra a base de Al Azraq, na Jordânia. Segundo o jornal "The New York Times", o ataque também danificou diversos helicópteros das Forças Armadas dos EUA, incluindo modelos de combate como os Black Hawks.

Desde o início da guerra, 16 militares americanos já morreram e mais de 430 ficaram feridos.

Em nota, o CentCom detalhou o episódio: "Em 17 de julho, dois membros das forças armadas dos EUA na Jordânia foram mortos em ação enquanto o Comando Central dos EUA (CENTCOM) e forças parceiras se defendiam contra ataques com mísseis balísticos iranianos e drones. Além disso, um membro das forças armadas está atualmente desaparecido em ação".

O comunicado acrescenta: "Quatro membros das forças armadas americanas foram levados para hospitais jordanianos. Eles já foram liberados desde então. Outros militares que foram avaliados por ferimentos leves retornaram ao serviço". O CentCom não revelou os nomes dos militares mortos e feridos.

Irã anuncia suspensão do cessar-fogo

Teerã e Washington vêm protagonizando uma escalada militar desde o naufrágio do acordo de cessar-fogo assinado entre os dois países em junho. O líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, afirmou neste sábado, em redes sociais, que os Estados Unidos voltaram a descumprir compromissos firmados no acordo de paz e classificou como sem valor a palavra do governo americano: "A repetida violação dos compromissos do Grande Satã em relação ao acordo, mais uma vez, revelou a verdade: a assinatura do presidente dos Estados Unidos tem tão pouco valor e credibilidade quanto as palavras e a conduta enganosas, traiçoeiras e brutais do regime americano".

Também neste sábado, Teerã anunciou a suspensão dos compromissos assumidos no cessar-fogo de junho.

Confrontos seguem em várias frentes

Os ataques continuam sem trégua. O CentCom informou ter realizado, pela sétima noite consecutiva, ofensivas contra instalações de vigilância, infraestrutura logística militar, depósitos subterrâneos de armas e capacidades marítimas iranianas.

Segundo a mídia estatal do Irã, bombardeios americanos atingiram usinas elétricas e instalações de dessalinização na província de Hormozgan, no sul do país. A agência IRNA relatou que uma usina de dessalinização foi destruída, interrompendo o abastecimento de água para cerca de 10 mil pessoas, enquanto outra unidade foi danificada na ilha de Qeshm, ponto estratégico no Estreito de Ormuz.

Em resposta, o Irã lançou novos ataques neste sábado contra aliados de Washington no Golfo. O Kuwait foi alvo de bombardeios contínuos: uma usina de dessalinização foi atingida, e as operações no Aeroporto Internacional do Kuwait foram suspensas diante de sucessivas ameaças de mísseis e drones. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou ainda ter atacado um centro de apoio militar dos EUA no Campo Arifjan e destruído uma instalação de radar na Base Aérea de Ali Al Salem, ambas em território kuwaitiano.

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