Incêndios em 2024 atingem 47% acima da média dos últimos cinco anos no Brasil; aumento de 90% em incêndios florestais, com 29,7 milhões de hectares
Marina Milani Publicado em 16/12/2024, às 20h18
Entre janeiro e novembro de 2024, o Brasil registrou um aumento alarmante de incêndios florestais, com 29,7 milhões de hectares consumidos pelo fogo. Esse número representa um crescimento de 90% em comparação com o mesmo período de 2023, sendo a maior área queimada nos últimos seis anos. A Amazônia, em particular, foi duramente impactada, com 57% da área destruída, totalizando 16,9 milhões de hectares. Desse total, 7,6 milhões são de florestas, destacando-se como o principal bioma afetado.
O Cerrado também enfrentou uma grande devastação, com 9,6 milhões de hectares queimados, e, impressionantes, 85% dessa área era de vegetação nativa, o que agrava ainda mais a situação ambiental. Os dados obtidos pelo Monitor do Fogo, do MapBiomas, revelam que o aumento de incêndios atingiu um nível de 47% superior à média dos últimos cinco anos. Já o Pantanal registrou 1,9 milhão de hectares queimados, refletindo um crescimento de 68% em comparação com os últimos cinco anos.
O estado do Pará lidera as estatísticas de áreas queimadas, com 6,97 milhões de hectares, representando 23% do total de áreas afetadas em todo o Brasil e 41% da Amazônia. Mato Grosso e Tocantins também figuram entre os estados mais atingidos, com 6,8 milhões e 2,7 milhões de hectares queimados, respectivamente. O aumento nas queimadas é alarmante, pois compromete a biodiversidade, afeta o clima e ameaça o equilíbrio ambiental no país.
Em termos de municípios, São Félix do Xingu, no Pará, e Corumbá, em Mato Grosso do Sul, foram os mais afetados. Em São Félix do Xingu, 1,47 milhão de hectares foram queimados, enquanto em Corumbá, o total chegou a 837 mil hectares. A destruição dessas vastas áreas de vegetação nativa tem repercussões sérias para a fauna e flora locais, além de impactar comunidades que dependem desses ecossistemas.