Ministra da Economia alemã e CEO da Shell apontam impacto direto do conflito com o Irã no fornecimento global de combustíveis, com possível agravamento entre abril e maio
Ana Beatriz Publicado em 26/03/2026, às 12h57
A Europa pode enfrentar uma nova crise energética já nas próximas semanas. O alerta foi feito pela ministra da Economia e Energia da Alemanha, Katherina Reiche, e pelo CEO da Shell, Wael Sawan, diante dos impactos crescentes do conflito no Oriente Médio sobre o fornecimento global de combustíveis.
As declarações ocorreram durante a conferência internacional de energia CERAWeek, realizada no Texas, nos Estados Unidos, onde líderes do setor discutiram os efeitos da guerra envolvendo o Irã, iniciada no fim de fevereiro. Segundo os participantes, a escalada militar já está afetando cadeias de abastecimento e pode provocar escassez de energia a partir de abril ou maio, especialmente na Europa.
De acordo com Wael Sawan, o impacto da crise já começou a ser sentido em regiões da Ásia, inicialmente com o combustível de aviação e o diesel, e tende a avançar para outros mercados. “O sul da Ásia foi o primeiro a sofrer esse impacto. Depois passou para o sudeste da Ásia, nordeste da Ásia e agora começa a atingir a Europa à medida que entramos em abril”, afirmou o executivo.
Estreito de Ormuz no centro da crise
Um dos principais pontos de preocupação é o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo. A região concentra cerca de 20% do fluxo global de petróleo e gás natural liquefeito, sendo vital para o abastecimento energético mundial.
Com o aumento das tensões militares e ataques a instalações energéticas no Oriente Médio, o risco de interrupção dessa rota cresceu significativamente. O quase bloqueio do estreito já provoca instabilidade no mercado e pressiona preços internacionais.
Especialistas apontam que qualquer interrupção prolongada no tráfego marítimo na região pode gerar um efeito cascata no abastecimento global, afetando diretamente países dependentes de importação de energia, como grande parte da Europa.
Impacto direto na Europa
A ministra Katherina Reiche indicou que a Alemanha, maior economia da Europa, já monitora os efeitos da crise com preocupação. O país ainda enfrenta desafios estruturais no setor energético após reduzir sua dependência de fontes tradicionais e passar por mudanças no fornecimento nos últimos anos.
Segundo analistas, a combinação entre instabilidade geopolítica e dependência de importações pode colocar países europeus em uma situação crítica, especialmente com a proximidade de períodos de maior consumo energético.
A possível escassez pode afetar diretamente:
Além disso, o aumento dos preços tende a pressionar a inflação e impactar o custo de vida da população.
Efeito dominó no mercado global
A crise energética não se limita à Europa. O alerta feito na conferência indica um efeito dominó global, que começa na Ásia e avança progressivamente para outros continentes.
O diesel foi o primeiro combustível impactado, seguido pelo combustível de aviação. A expectativa agora é de que a gasolina também seja afetada, ampliando ainda mais os efeitos da crise.
O cenário preocupa governos e empresas, que já discutem estratégias para conter os impactos, incluindo aumento de estoques, diversificação de fornecedores e medidas emergenciais.
Cenário depende da guerra
O principal fator que determinará a gravidade da crise é a duração do conflito no Oriente Médio. Segundo os especialistas, caso a guerra se prolongue, a tendência é de agravamento do quadro, com riscos de desabastecimento em larga escala.
Por outro lado, uma eventual redução das tensões poderia aliviar a pressão sobre o mercado energético e estabilizar o fornecimento.
Enquanto isso, autoridades e empresas seguem em alerta máximo diante de um cenário considerado um dos mais sensíveis dos últimos anos no setor de energia.