COLUNA

Uma história vitoriosa que nos inspira

Favela do Moinho no centro da capital paulista - Imagem: Reprodução / Agência Brasil / Rovena Rosa

Marcelo Emerson Publicado em 18/09/2025, às 09h50

Escrever para o jornal Diário de São Paulo é uma missão que encaro com muita honra e profissionalismo. Para honrar este espaço, começo uma série de artigos, que publicarei uma vez por mês, contando histórias de superação e vitória. Na estreia desta série, conto a trajetória de Tonny Santos.

Tonny veio de Castro Alves, Bahia, em 2002. A primeira moradia foi um barraco de 16 metros quadrados numa favela em São Paulo, que dividia com outras cinco pessoas. Ele teve que improvisar uma cama utilizando uma porta forrada com papelão e apoiada em quatro blocos de construção.

Diante de uma banca de jornal, Tonny tomou conhecimento do edital do concurso da Polícia Militar. Logo iniciou os estudos e no dia 15 de dezembro de 2003 ele tomou posse como aluno soldado da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

Sua trajetória na PM foi diferenciada, pois fez o curso de formação no 1º Batalhão de Choque Tobias de Aguiar, que é a base da unidade de uma das tropas de elite mais destacadas e respeitadas não só do Brasil, mas do mundo: a ROTA (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar).

O estágio na ROTA tem um altíssimo nível de exigência, colocando o recruta sob pressões intensas e elevados níveis de esforço físico e psicológico. A conquista do braçal é um símbolo de aprovação e integração à tropa. Tonny conquistou o braçal de ROTA em 2006 e em 2011 já tinha passado pelo posto de Cabo e alcançava a patente de Sargento.

“Ser policial é um sonho para pessoas desta classe social, por isto, quando entrei na polícia, eu me senti no topo. Foi o momento de se ajoelhar e dizer para Deus: Obrigado!!!”, revela Tonny no livro “Sargento Tonny Santos: Herói da Polícia (2021).

Ainda nos testemunhos que constam no livro, ele continua: “Com vinte anos de polícia, quando eu coloco a farda é como se fosse o primeiro dia. Quando visto a farda eu penso, o que posso fazer para ajudar a sociedade? Eu falo para os meus colegas, quando a gente para a viatura e ajuda alguém, um deficiente ou alguém com o carro quebrado, nós ganhamos o dia. Nós estamos ali para ajudar a população”.

Como policial militar, Tonny Santos participou de ocorrências em que realmente pode salvar vidas, como quando libertaram pessoas sequestradas e mantidas em cativeiro em Aracati e em Campo Limpo. Além disso, a equipe de ROTA da qual Tonny fazia parte efetuou importantes prisões de traficantes de drogas.

Mas a trajetória na Polícia Militar também trouxe experiências amargas, como a morte do colega Soldado Juliano Ritter, em 28 de novembro de 2021.

Enquanto prestava serviços como policial militar, Tonny manteve seus estudos, tendo se graduado em História, Geografia, Sociologia e Direito. Além disso, passou a investir em participação numa empresa, o que lhe deu situação financeira um tanto mais confortável do que permite a remuneração de um policial militar.

Tonny fala da sua experiência na Polícia Militar: “Por muitos anos estive à frente em diversas operações policiais na gloriosa ROTA – Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar. Coloquei a minha vida em risco para proteger, ajudar e orientar sempre as pessoas de bem.

Foram longos dias e noites em claro para estar ao lado do povo de são Paulo. Não foi fácil, mas sempre foram dias dedicados e com muito amor pelo povo do Estado de São Paulo”

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