Marcelo Emerson Publicado em 31/07/2025, às 09h12
Nos últimos anos, o Brasil tem convivido com desafios persistentes na área da segurança pública. No entanto, alguns estados e municípios têm conseguido resultados notáveis — e Goiás desponta como um caso que merece atenção nacional. Ao compararmos os índices mais recentes de segurança pública dos governos de Goiás, do Estado de São Paulo e da Prefeitura da capital paulista, sob as gestões de Ronaldo Caiado, Tarcísio de Freitas (com o secretário Guilherme Derrite) e Ricardo Nunes (com o secretário Cel. Mello Araújo), surgem contrastes relevantes sobre os caminhos escolhidos para enfrentar a criminalidade.
Desaque-se que, no Brasil, a segurança pública é uma responsabilidade concorrente entre os entes federativos, ou seja, União, estados, Distrito Federal e municípios. A Constituição Federal estabelece que a segurança pública é um dever do Estado, mas também um direito e responsabilidade de todos.
Vamos ao comparativo de índices referentes a Goiás e São Paulo (considerando estado e município).
Sob a liderança de Ronaldo Caiado desde 2019, Goiás implementou uma política de segurança baseada na integração das forças policiais, uso intenso de inteligência e forte investimento em estrutura e pessoal. Como resultado, o estado registrou, em 2024, a maior redução percentual de homicídios dolosos da Região Centro-Oeste: uma queda de 11,35% em relação ao ano anterior. A taxa atual é de 12,11 homicídios por 100 mil habitantes, muito abaixo da média nacional de 16,64. Além disso, o índice de elucidação de homicídios em Goiás alcançou 86% — mais que o dobro da média nacional.
Mas Goiás não se destacou apenas em homicídios. Crimes patrimoniais, como roubos e furtos de veículos e cargas, também despencaram. Em 2024, o estado não registrou nenhum roubo a instituição financeira, algo raríssimo no cenário nacional. O sucesso da política goiana se apoia em três pilares claros: planejamento estratégico, valorização policial e ação integrada. É uma gestão com foco em resultados e eficiência operacional.
Em contrapartida, o Estado de São Paulo, sob a gestão de Tarcísio de Freitas e com o comando da segurança nas mãos do secretário Guilherme Derrite, também obteve bons números em redução de homicídios. Em 2024, o estado teve a menor taxa de homicídios em 24 anos: 5,9 por 100 mil habitantes. Contudo, esse dado positivo é ofuscado por um crescimento alarmante da percepção de violência nas ruas.
A popularização dos roubos à mão armada, principalmente para roubo de celulares, carros e motos é alarmante.
Para a população em geral, a impressão é que o Secretário Derrite não tem.econtrado meios de fazer frente à crescente onda de crimes no estado. A política de segurança estadual tem priorizado policiamento ostensivo, mas tem recebido críticas por não atender a questões salariais dos praças e por não dar pronta resposta à sociedade diante da escalada de violência contra o cidadão.
Na capital paulista, a Prefeitura comandada por Ricardo Nunes tem apostado em tecnologia para ampliar o alcance da segurança municipal. Com o projeto Smart Sampa, a cidade implantou cerca de 25 mil câmeras de videomonitoramento com reconhecimento facial, o que permitiu localizar mais de mil foragidos e realizar prisões sem intercorrências. A Guarda Civil Metropolitana foi reforçada, a questão salarial foi prestigiada e o município ganhou protagonismo na prevenção urbana. Porém, a gestão também enfrenta críticas quanto ao uso excessivo de vigilância e ainda insuficiência de atendimento para minimizar a deterioração do espaço urbano, que favorece a criação de áreas com altos índices de criminalidade.
Diante desse panorama, cabe a pergunta: o que Goiás tem feito de diferente? A resposta parece na inteligência institucional e no prestígio à atuação operacional das forças de segurança pública. Enquanto São Paulo se destaca por sua capacidade técnica e baixa taxa de homicídios, Goiás vai além, apostando em ações estruturais e duradouras — com resultados sólidos e sustentáveis, mesmo em áreas rurais e periféricas.
A lição que fica é que segurança pública eficaz exige viaturas nas ruas e estratégia, investimento contínuo e respeito à legalidade. E, acima de tudo, requer liderança capaz de equilibrar firmeza com responsabilidade. Nesse aspecto, Goiás tem algo importante a ensinar — e São Paulo pode aprender.