Evento teve a participação de especialistas
Jair Viana Publicado em 02/06/2025, às 19h09
O Instituto Clima e Sociedade (iCS) e o E-Mundi (Encontro Mundial de Jornalistas) reuniram especialistas e jornalistas no Rio de Janeiro nos dias 25 e 26 de maio para o seminário Socioeconomia do Clima. O evento — o primeiro de uma série de debates preparatórios para a COP30, que será realizada em Belém — discutiu estratégias para ampliar recursos voltados à ação climática, com foco em fontes inovadoras de financiamento, soluções locais e proteção social.
Maria Netto, diretora executiva do iCS, abriu o encontro destacando uma reorganização no cenário global de financiamento. “Instituições como o Banco Asiático de Infraestrutura ou o New Development Bank já operam fora da influência direta dos Estados Unidos”, afirmou, ressaltando que a rigidez dos mecanismos tradicionais exige a busca por novas fontes de recursos.
Caroline Prolo, sócia da Fama ReCapital e cofundadora da LACLIMA, defendeu o potencial brasileiro para liderar cadeias de valor sustentáveis. “Além da energia renovável no Nordeste, temos minerais críticos que podem gerar oportunidades para a população local”, disse. Ela citou o interesse de países como Emirados Árabes e Noruega em investir em projetos verdes no Brasil.
Walter De Simoni, gerente de Política Climática do iCS, enfatizou o papel fundamental de estados e municípios. “Falar de clima é falar de um novo modelo de desenvolvimento regional. O federalismo climático exige clareza nas responsabilidades de cada esfera”, explicou. Ele mencionou o Anuário Estadual de Mudanças Climáticas, que mapeia avanços e desafios locais — como o sucesso da energia solar em Minas Gerais.
Já Dyogo Oliveira, presidente da CNseg e ex-ministro do Planejamento, alertou para os riscos climáticos no setor de seguros. “O Brasil, antes considerado um país não catastrófico, agora é visto como tal pela indústria global após eventos como o de Porto Alegre”, afirmou. Para ele, é urgente estruturar mecanismos de prevenção e adaptação.
O seminário contou ainda com painéis sobre bioeconomia, regulação ambiental e estratégias para uma transição justa, com ênfase no papel do Brasil como liderança internacional na agenda climática.
|
|
|
|