Fábio Behrend Publicado em 30/01/2026, às 08h18
O Jockey Clube de São Paulo ainda não definiu quem será o agente financeiro da recuperação. No páreo, por enquanto, BTG Pactual e Latache Capital, dois gigantes com fôlego suficiente para investir. As propostas só serão analisadas depois da eleição do conselho, marcada para o dia 10. O empresário Benjamim Steinbruch, que foi presidente do Jockey até 2024 e até o final do ano passado era o representante do turfe no conselho de administração, está fora da disputa, vai cuidar dos próprios negócios.
Ex-governador de Goiás, ex-senador e ex-presidente nacional do PSDB, Marconi Perillo havia sido eleito para mais um mandato no conselho do Jockey Club, só que a eleição disputada em 2 de dezembro foi anulada por suspeita de fraude. Perillo não retornou minhas ligações, nem respondeu às mensagens. O advogado do político, João Pina, comentou que após a anulação do pleito e a convocação de uma nova eleição, Marconi decidiu não seguir na disputa. “Agora não vai mais. Vai focar só em Goiás”, afirmou. Em tempo: Marconi Perillo não foi citado por envolvimento na fraude que levou a anulação da eleição.
O Jockey Club de São Paulo voltou ao noticiário desde o início do ano, por motivos bem melhores do que uma CPI. Primeiro foi um grande festival de música que aconteceu no último dia 10 e logo depois, o anúncio de um importante torneio de tênis que será disputado em março nas dependências do clube. Por outro lado, neste sábado não haverá nenhum cavalo correndo nas pistas de Cidade Jardim. É um protesto de treinadores contra a situação política e pelo atraso no pagamento de prêmios. Com apoio dos proprietários dos animais, nenhum conjunto foi inscrito para os páreos que seriam disputados amanhã.
De volta ao trabalho, o presidente da CPI do Jockey marcou para a próxima terça a primeira reunião do ano. Gilberto Nascimento Jr conta que a direção do clube “empurra com a barriga” uma solução para a dívida há mais de uma década e que o prefeito e a Cãmara Municipal cansaram das sucessivas promessas e adiamentos. “Só com o nosso atual prefeito foram sete promessas de solução e nada. Não é justo com a cidade”.
Enquanto isso, o reforço solicitado pela CPI à prefeitura já está na pista. Dez servidores que vão auxiliar na investigação. Oito deles, cedidos pela Secretaria de Urbanismo e Licenciamento, atuam nas áreas de Engenharia, Arquitetura, Agronomia e Geologia. Os outros dois são especialistas nas áreas fiscal e contábil cedidos pela da Secretaria da Fazenda.
A visita de ontem do governador Tarcísio de Freitas a Bolsonaro parece ter selado de vez a candidatura de Flávio à presidência, com apoio do governador de São Paulo, que vai disputar à reeleição. Minha opinião? Trata-se de um erro de estratégia. É fato que hoje o clã Bolsonaro tem 3 grandes objetivos. Além de eleger o 01 presidente, querem tirar o pai da cadeia e promover o impeachment de ministros do STF, começando por Alexandre de Moraes.
Em todos os cenários das pesquisas eleitorais até agora é Tarcísio quem mais ameaça uma vitória de Lula no segundo turno. Com apoio do clã Bolsonaro, as chances de vitória aumentariam. O mesmo não se aplica a Flávio, cuja distância para Lula seria consideravelmente maior. A aposta na candidatura do filho mais velho pode inviabilizar os objetivos da família.
Uma possível derrota de Flávio poderia encolher ainda mais o Bolsonarismo, o que não aconteceria no caso de derrota de Tarcísio, provavelmente em disputa acirrada. Por outro lado, com Flávio, Michele e outros aliados eleitos senadores, o sonho de impeachment contra ministros do STF poderia começar a tomar forma. E pra terminar, com Tarcísio eleito presidente, o indulto a Jair seria, certamente, sua primeira canetada.
Só pra não deixar passar batido, o deputado federal Carlos Zarattini é tio da vereadora Luna Zarattini, não pai, como escrevi na semana passada.