De Olho na Cidade, por Fábio Behrend

Notas que só não foram publicadas antes porque tirei férias

o vereador Thammy Miranda - Imagem: Reprodução

Fábio Behrend Publicado em 16/01/2026, às 08h00

O jabuti do Thammy

Na última coluna do ano passado, falei do barraco protagonizado pela "5ª série" da Câmara Municipal e por conta da falta de espaço, acabei deixando de fora o jabuti (emenda inserida em projeto de lei sem ligação com o objetivo do projeto) proposto pelo vereador Thammy Miranda no PL que proíbe a entrega de títulos e honrarias três meses antes das eleições.

A emenda, ou jabuti, permitiria a volta do plenário virtual, adotado na pandemia. Não houve consenso na base do governo e a oposição criticou muito. "Vai ter vereador votando de pijama, votando da praia, votando de outro país", disse Luna Zarattini (PT).

Na prática...

A volta do plenário virtual, além de cômoda para os parlamentares, dificultaria manobras de obstrução durante discussões e votações importantes. O assunto não esfriou e deve ser discutido no final do recesso, quando a turma voltar ao batente, no começo de fevereiro.

Durmam bem

Desde setembro relatamos aqui o sofrimento dos moradores do perímetro que vai da Praça da Sé até a Praça da República com as raves que varam madrugadas no Vale do Anhangabaú. A pressão da sociedade civil deu certo e a prefeitura simplesmente enquadrou a concessionária.

Agora, as raves que deixavam sem dormir quem mora no perímetro entre as praças da Sé e República, tem hora pra acabar: 23h. Mérito especial para a Frente Cidadã pela Despoluição Sonora e para as associações Viva o Centro e Bairro Vivo.

Fogo no zap

Noite de réveillon na Granja Julieta, zona sul. Bairro silencioso, arborizado e unido por vários grupos de Whatsapp. Tem grupo de segurança, de vizinhança solidária, grupo de cada uma das ruas, grupo de desapego e um grande grupo geral, com quase 400 pessoas.

Todos em polvorosa depois da queima de fogos, principalmente pelo fato de os patrocinadores da pirotecnia não terem utilizado fogos sem estampido, que fazem metade do barulho dos fogos tradicionais, como manda a legislação municipal.

No bairro, boa parte das casas têm animais de estimação. Houve relatos de cães desesperados por conta do barulho e de gatos que sumiram durante dias. Mas o bicho realmente pegou nos grupos quando a origem dos fogos foi identificada, no final da manhã do primeiro dia do ano.

Foi a cunhada

Os fogos vieram da casa dos mais ilustres moradores do bairro, o casal Renata e Gabriel Abreu. Ela, deputada federal e presidente nacional do Podemos. Ele, vereador e defensor da causa animal. Gabriel participa e costuma interagir com os grupos. Escreveu pedindo desculpas, explicou que estava com a esposa fora de São Paulo e que a casa havia sido emprestada para "minha cunhada, a família dela e alguns amigos". Disse também que, se soubesse que haveria fogos com estopim, não teria permitido.

"Até porque tenho filhos de 4 patas e defendo eles no meu mandato de vereador. Peço mil desculpas para todos que sofreram com esse inconveniente. Mesmo não tendo envolvimento com o ocorrido, peço desculpas", escreveu o vereador.

Assunto do ano

Eu não tenho a menor dúvida de que terei que escrever sobre as eleições desse ano. Farei isso se tiver a resposta para algumas perguntas de preferência antes da confirmação dos fatos. Por exemplo: Tarcísio será candidato a presidente ou governador? Se for a presidência, Ricardo Nunes tentará o governo de SP?

Quem será o candidato da esquerda em SP? O PSD de Kassab vai compor chapa com alguém ou vai mesmo de candidato próprio na eleição nacional? Flávio Bolsonaro e Michele na mesma chapa é viável? Enfim, eleição é tema obrigatório e óbvio para qualquer jornalista. Mas e aqui em São Paulo, o que mais, além das eleições, pode virar notícia em 2026?

Uma certeza e uma aposta

A CPI do Jockey Clube certamente será manchete em algum momento. São grandes interesses em jogo. O Jockey que quer se manter um clube privado, o prefeito quer transforma-lo em parque e o apetite do mercado imobiliário aguarda a definição do destino do Jockey para entrar em ação.

Já a desativação do Minhocão tem grande potencial para ocupar o noticiário esse ano. Vai virar parque? Vai ser desmontado? Enquanto essa discussão que já dura décadas caminha para a reta final, uma coisa é certa: o minhocão deverá ser desativado como via de tráfego até 2029, como prevê a lei. O debate sobre o destino do monstrengo de concreto deve ganhar força a partir de agora, e estarei atento.

Contato: deolhonacidade@spdiario.com.br

THAMMY MIRANDA CPI do Jockey Clube

Leia também