De Olho na Cidade, por Fábio Behrend

A nova vítima do maior ladrão de livros do Brasil e novas ideias para a região central

Autoridades e gestores de acervos são alertados após identificação de novos registros

Fotos ampliam investigação sobre atuação do grupo em espaços culturais da região central de São Paulo - Imagem: Reprodução/Redes Sociais

Fábio Behrend Publicado em 20/03/2026, às 07h58

Laéssio inquieto

Semana passada noticiamos com exclusividade a “volta ao trabalho” do maior ladrão de livros e obras raras do Brasil, Laéssio Rodrigues de Oliveira. Durante a tarde, depois da repercussão da notícia, conversei com o presidente do Instituto Histórico e Geográfico de SP (cujo acervo estava sendo cobiçado pelo bandido), João Tomas do Amaral, que me contou ter passado o dia alertando bibliotecas e responsáveis por acervos valiosos na cidade sobre a volta do gatuno. Segundo Amaral, Laéssio teria sido visto também na biblioteca do Clube Português, no Brooklin, no último dia 11.

Laéssio Rodrigues de Oliveira aparece ao centro, em registro feito dentro de biblioteca dias antes do furto de obras raras na capital paulista (Foto: Reprodução/Acervo)

 

Ponte aérea ou onipresença?

No domingo, o mestre Ancelmo Gois (O Globo), publicou nota dizendo que Laéssio teria sido visto rondando centros culturais no Rio de Janeiro na semana passada. Na nota, Ancelmo lembrou que a vida do refinado meliante foi tema de documentário disponível no Globoplay, que vou assistir no final de semana.

Av. Portugal

Anteontem, assim que encontrei com João Tomas do Amaral durante evento na Associação Comercial, ele me deu a notícia. Laéssio e seu casal de comparsas já haviam consumado o furto na biblioteca do Clube Português. Foram levados três volumes de uma obra do advogado e escritor João Pinto Ribeyro, que embora publicadas em 1729, não tem grande valor financeiro (cerca de 300 euros por volume).

A diretora da biblioteca, Fabíola Neves, reconhece as falhas na segurança do local e me contou que as obras mais valiosas ficam expostas em lugares mais visíveis e protegidas por vidros, dificultando o furto. Desde quarta-feira a biblioteca está fechada ao público.

“Esperamos reabrir no início de abril, pois estamos melhorando o sistema de segurança e criando restrições de acesso.”

Selfie no próximo alvo

O furto das obras foi registrado no 27º Distrito Policial, no Campo Belo. Laéssio agora está na mira da 1ª Central Especializada de Repressão a Crimes e Ocorrências Diversas (Cerco), que investiga o roubo das obras de Matisse e Portinari na Biblioteca Mario de Andrade.

Fabíola Neves conta que a comparsa de Laéssio que se identifica como Maria Helena, enviou mensagens para a biblioteca contando quem era e depois ficou em silêncio. A moça publicou fotos numa rede social que teriam sido tiradas na tarde de quarta-feira, horas depois do furto no Clube Português, em outro ponto da cidade que guarda importante acervo cultural: a Santa Casa de Misericórdia.

Imagens publicadas nos stories de uma mulher que se identifica como Maria Helena mostram registros feitos no Museu da Santa Casa; segundo apuração, o material foi encaminhado ao professor João Tomas do Amaral, que alertou a instituição, embora até o momento não haja confirmação oficial sobre a presença do grupo no local (Foto: Reprodução/Acervo)

 

Ameaças

Também na quarta, Laéssio telefonou pessoalmente para o IHGSP para reclamar de ter sido denunciado pelo presidente João Tomas do Amaral, após a visita que fez ao instituto, “mesmo sem ter roubado nada”.

“Ele me disse pra parar de falar mal dele, senão viria aqui me dar uns tapas”, contou Amaral, que recebeu ontem a equipe da polícia que investiga o caso.

Aliança pelo Centro

É esse o nome do projeto apresentado na última quarta-feira pelo presidente da Associação Viva o Centro, Edison Farah, ao fundador da entidade e ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, à diretoria da Associação Comercial de SP, onde ocorreu o evento e a um grupo de empresários e lideranças envolvido diretamente na recuperação da região central da cidade. O objetivo é construir um pacto de cuidado, responsabilidade e uso qualificado do Centro Histórico de São Paulo.

Chega de vandalismo

A iniciativa parte do diagnóstico de que a degradação urbana é expressa pelo vandalismo, pelo abandono de fachadas pichadas, por incivilidades e pela demora na reparação de danos, que acaba impactando diretamente o ambiente econômico, o valor imobiliário e a atratividade do território, para moradores, consumidores e, principalmente, para investidores.

Câmara de Mediação

O projeto também prevê a criação de uma câmara de mediação envolvendo representantes da sociedade civil organizada, polícias, Justiça, Ministério Público e prefeitura para transformar ocorrências recorrentes em processos rápidos de responsabilização e reparação, reduzindo a sensação de impunidade e acelerando a recuperação do espaço urbano vandalizado.

“Vamos fazer o centro de nossa cidade ficar lindo novamente”, afirmou Farah.

Contato: deolhonacidade@spdiario.com.br

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