Messi não volta com a Argentina após vice da Copa e aumenta clima de fim de ciclo

Camisa 10 seguiu para Miami ao lado de Rodrigo De Paul depois da derrota para a Espanha na final, enquanto parte da delegação argentina retornou a Buenos Aires para reencontrar os torcedores.

O camisa 10 não retornou a Buenos Aires com a delegação argentina e seguiu direto para Miami após o vice mundial - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Silva Publicado em 20/07/2026, às 11h25

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Lionel Messi não retornou à Argentina com a delegação da seleção após o vice na Copa do Mundo de 2026. Depois da derrota por 1 a 0 para a Espanha na final, disputada no MetLife Stadium, em Nova Jersey, o camisa 10 seguiu direto para Miami ao lado de Rodrigo De Paul, seu companheiro de Inter Miami.

A decisão chamou atenção porque o retorno da seleção a Buenos Aires era aguardado por torcedores argentinos, mesmo após a frustração pela perda do título. A delegação embarcou em voo saindo de Nova York com parte do elenco, comissão técnica e integrantes da Associação do Futebol Argentino, mas sem o capitão.

Segundo a imprensa argentina, Messi e De Paul seguiram para Miami para cumprir compromissos ligados ao Inter Miami antes do início do período de descanso. O clube norte-americano já retomou sua agenda após a pausa da Copa, embora a expectativa seja de que os dois jogadores tenham alguns dias de folga antes de voltarem a atuar.

A ausência de Messi não foi a única. A própria AFA havia informado que alguns atletas não voltariam ao país junto com o restante da delegação e seguiriam diretamente dos Estados Unidos para outros destinos, seja para se reapresentar aos clubes ou iniciar férias. Além de Messi e De Paul, também não retornariam Gerónimo Rulli, Nicolás Paz, Marcos Senesi, Facundo Medina, Valentín Barco, Nicolás González, José Manuel López e Juan Musso.

No voo para Buenos Aires estavam nomes importantes do grupo, como Emiliano Dibu Martínez, Julián Álvarez, Enzo Fernández, Lisandro Martínez, Cristian Cuti Romero, Lautaro Martínez, Nahuel Molina, Alexis Mac Allister, Leandro Paredes, Nicolás Tagliafico, Gonzalo Montiel, Giovani Lo Celso, Exequiel Palacios, Giuliano Simeone e Nicolás Otamendi, além de Lionel Scaloni e membros da comissão técnica.

A chegada ao aeroporto de Ezeiza mobilizou um esquema especial de segurança. Mesmo sem o título, a expectativa era de presença de torcedores para agradecer ao elenco pela campanha e pelo ciclo recente da seleção, que inclui a Copa América de 2021, o título mundial de 2022, a Copa América de 2024 e agora o vice em 2026.

A derrota na final, porém, deixou um clima de forte emoção no grupo argentino. A Espanha venceu por 1 a 0 na prorrogação, com gol de Ferran Torres aos 106 minutos. A partida marcou o fim da tentativa argentina de conquistar o bicampeonato consecutivo e consolidou a Espanha como campeã mundial pela segunda vez.

Dentro de campo, Messi viveu uma noite difícil. O camisa 10, que havia sido decisivo ao longo da campanha, foi neutralizado pela marcação espanhola e terminou a partida emocionado. A Argentina, que chegou à final embalada por viradas dramáticas e atuações importantes de seu capitão, teve enorme dificuldade para criar contra uma Espanha dominante.

Após a final, o técnico Lionel Scaloni também deixou o futuro em aberto. Em entrevista coletiva, o treinador afirmou que pretende conversar com o presidente da AFA, Claudio Tapia, e que precisa refletir sobre os próximos passos. Ele disse que a equipe deu tudo até o último minuto, mas reconheceu a necessidade de avaliar o que vem pela frente.

Scaloni também defendeu Messi e afirmou que o camisa 10 seguirá jogando até o momento em que decidir parar. A declaração tenta esfriar qualquer conclusão precipitada sobre uma aposentadoria imediata da seleção, mas não reduz o peso simbólico da cena: Messi deixando o Mundial em lágrimas, sem a taça e sem retornar com o grupo ao país.

A ausência no desembarque não significa rompimento com a seleção, mas reforça a sensação de encerramento de uma era. Aos 39 anos, Messi disputou sua sexta Copa do Mundo e chegou novamente à decisão, quatro anos depois de liderar a Argentina ao título no Catar. Mesmo derrotado, encerrou o torneio como o grande nome de uma geração que mudou a história recente do futebol argentino.

A AFA, em comunicado após a final, agradeceu o apoio dos torcedores e afirmou que o resultado não foi suficiente para realizar o sonho do bicampeonato, mas reafirmou o vínculo entre a seleção e o povo argentino. A entidade destacou que a camisa foi defendida por todos e que o orgulho de representar o país seguirá como motor para os próximos desafios.

Agora, a Argentina entra em um período de indefinição. O futuro de Scaloni, o papel de Messi no próximo ciclo e a renovação de um elenco ainda muito ligado aos campeões de 2022 devem dominar o debate nos próximos meses. O vice da Copa de 2026 não apaga o ciclo vitorioso, mas marca o início de uma nova pergunta: como será a seleção argentina quando Messi não estiver mais no centro de tudo?

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