Mundial disputado em Canadá, México e Estados Unidos teve 48 seleções, 104 jogos, 6,7 milhões de torcedores nos estádios e 308 gols até o título da Espanha sobre a Argentina.
Ana Beatriz Silva Publicado em 20/07/2026, às 10h45
A Copa do Mundo de 2026 chegou ao fim neste domingo, 19 de julho, com o título da Espanha sobre a Argentina, mas a conquista espanhola foi apenas o último capítulo de uma edição marcada por números históricos. Disputado em Canadá, México e Estados Unidos, o torneio confirmou o novo tamanho do futebol mundial e terminou como a maior Copa já realizada pela FIFA.
Pela primeira vez, o Mundial teve 48 seleções, 104 partidas e três países sede. A ampliação do formato transformou a competição em um evento de proporção inédita, com mais jogos, mais atletas, maior duração, maior deslocamento entre cidades e uma presença de público jamais vista na história das Copas.
O número mais impressionante foi registrado nas arquibancadas. A edição de 2026 recebeu 6,7 milhões de torcedores nos estádios, superando com enorme vantagem o recorde anterior de 1994, também nos Estados Unidos, quando 3,5 milhões de pessoas acompanharam os 52 jogos daquela Copa. A marca de 2026 praticamente dobrou os públicos das duas edições anteriores, já que o Mundial do Qatar, em 2022, recebeu 3,4 milhões de torcedores, enquanto a Copa da Rússia, em 2018, teve cerca de 3 milhões.
O recorde de público já era esperado por causa do aumento de partidas, mas chamou atenção a velocidade com que a marca histórica foi alcançada. Segundo o UOL, a Copa de 2026 já havia superado o recorde ainda na primeira fase, durante a terceira rodada. No fim do torneio, a ocupação dos estádios chegou a 99%, acima dos 96% registrados em 1994.
O maior público da competição apareceu logo na abertura. A vitória do México por 2 a 0 sobre a África do Sul levou 80.824 torcedores ao Estádio Azteca, na Cidade do México. O mesmo número se repetiu em outros quatro jogos realizados no estádio: Uzbequistão contra Colômbia, Tchéquia contra México, México contra Equador e México contra Inglaterra.
Dentro de campo, a Copa também bateu recordes. Com 48 seleções e 104 partidas, a edição já entrava para a história pelo tamanho do formato. Mas os números ofensivos ampliaram ainda mais o impacto do torneio. A competição terminou com 308 gols, marca muito superior ao recorde anterior, de 172 gols, alcançado em 2022.
O gol que quebrou oficialmente o recorde foi marcado pelo norte-americano Auston Trusty, na partida entre Turquia e Estados Unidos, vencida pelos turcos por 3 a 2. A partir dali, o Mundial seguiu acumulando bolas na rede até fechar com uma marca histórica que dificilmente será comparável às edições anteriores, justamente pela diferença no número de jogos.
Outro dado que mostra o tamanho da competição foi a quantidade de atletas envolvidos. Ao todo, 1.248 jogadores foram inscritos pelas seleções participantes, número inédito na história da Copa do Mundo. A edição também teve 39 dias de competição, reforçando a sensação de que o torneio se aproximou de uma grande temporada condensada em pouco mais de um mês.
Os recordes individuais também ganharam destaque. Lionel Messi e Kylian Mbappé protagonizaram uma disputa particular pela artilharia histórica das Copas. Messi começou o torneio igualando Miroslav Klose como maior goleador da história dos Mundiais, mas terminou atrás de Mbappé. O francês encerrou a Copa de 2026 com 22 gols em Mundiais, enquanto o argentino chegou a 21.
Mesmo sem terminar como maior artilheiro histórico, Messi ampliou sua coleção de marcas. O camisa 10 da Argentina se tornou o jogador com mais assistências em Copas do Mundo, chegando a 12 passes para gol após duas assistências na semifinal contra a Inglaterra. Ele também alcançou 23 vitórias em Mundiais e se juntou a Cristiano Ronaldo e Guillermo Ochoa como um dos únicos atletas a disputar seis Copas do Mundo.
A logística foi outro ponto central da edição. Por ser disputada em três países e em um território de dimensões continentais, a Copa exigiu deslocamentos muito maiores do que o habitual. Considerando apenas a fase de grupos, a Bósnia foi a seleção que mais viajou, com 5.037 quilômetros percorridos nos três primeiros jogos. O Egito, por outro lado, foi a equipe que menos se deslocou, com 384 quilômetros.
Entre as semifinalistas, a diferença também foi expressiva. A campeã Espanha precisou viajar 12.576 quilômetros até a final, quase o dobro da Argentina, que percorreu 6.789 quilômetros. A Inglaterra, que disputou o terceiro lugar, viajou 10.053 quilômetros, enquanto a França percorreu 5.682.
A final encerrou a competição em Nova Jersey, com vitória da Espanha por 1 a 0 sobre a Argentina. O gol do título foi marcado por Ferran Torres aos 106 minutos da prorrogação, garantindo o segundo título mundial da seleção espanhola, que já havia conquistado a Copa de 2010.
Mais do que o título da Espanha, a Copa de 2026 ficará marcada como uma virada de escala para o futebol mundial. Foi a edição que testou o novo formato com 48 seleções, ampliou o alcance comercial e geográfico do torneio, levou milhões de pessoas aos estádios e estabeleceu novos parâmetros para o que a FIFA pretende transformar em padrão nos próximos Mundiais.