Mesmo fora da briga pelo hexacampeonato após derrota para a Noruega, Seleção Brasileira encerra participação no Mundial com premiação que supera R$ 130 milhões e pode se aproximar de R$ 141 milhões com a atualização mais recente da FIFA.
Ana Beatriz Silva Publicado em 08/07/2026, às 10h12
A eliminação precoce da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 representou um duro golpe esportivo, mas não impediu a Confederação Brasileira de Futebol de encerrar sua participação no torneio com uma receita milionária. Fora da competição nas oitavas de final, após derrota por 2 a 1 para a Noruega, o Brasil ainda garantiu uma das maiores premiações já pagas a seleções eliminadas antes das fases decisivas.
Pelo critério de premiação por desempenho, as seleções que terminaram entre a 9ª e a 16ª posição recebem US$ 15 milhões. Como o Brasil caiu justamente nas oitavas, a CBF entra nessa faixa de pagamento. Além disso, todas as 48 seleções participantes da Copa de 2026 têm direito a uma cota fixa pela presença no Mundial.
A Forbes informou que cada seleção recebeu US$ 10,5 milhões pela participação, sendo parte do valor destinada à preparação. Com isso, a conta brasileira chegaria a US$ 25,5 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 131 milhões pela cotação atual do dólar.
No entanto, um comunicado mais recente da FIFA, publicado em abril de 2026, aumentou o pacote total de distribuição financeira para US$ 871 milhões. A entidade informou que a cota de qualificação subiu para US$ 10 milhões e o valor de preparação passou para US$ 2,5 milhões por seleção. Considerando essa atualização, a receita total do Brasil pode chegar a US$ 27,5 milhões, algo próximo de R$ 141 milhões, sem contar subsídios adicionais de delegação e benefícios ligados à operação do torneio.
O valor reforça o tamanho econômico da Copa de 2026, primeira edição disputada com 48 seleções. O novo formato ampliou o número de jogos para 104 partidas e criou uma fase eliminatória extra antes das oitavas. Na prática, mais seleções passaram a receber valores relevantes, mesmo sem avançar às quartas de final.
Dentro de campo, porém, a campanha brasileira terminou abaixo da expectativa. A derrota para a Noruega aconteceu no MetLife Stadium, em Nova York/Nova Jersey, em um jogo marcado por oportunidades desperdiçadas, decisões contestadas e atuação decisiva de Erling Haaland.
O Brasil teve chance clara de abrir o placar ainda no primeiro tempo, mas Bruno Guimarães desperdiçou uma cobrança de pênalti defendida por Orjan Nyland. A escolha do cobrador gerou questionamentos, já que Neymar e Raphinha não estavam entre os titulares naquele momento. Após a partida, Carlo Ancelotti explicou que a definição levou em conta análise estatística e a condição dos jogadores em campo.
A Noruega aproveitou melhor os momentos decisivos. Haaland marcou duas vezes no fim da partida, aos 79 e aos 89 minutos, colocando os europeus em vantagem. Neymar, que entrou no segundo tempo, ainda descontou de pênalti nos acréscimos, mas o gol serviu apenas para diminuir o placar.
A queda nas oitavas representa a eliminação mais precoce do Brasil em Copas desde 1990, quando a Seleção também parou nessa fase diante da Argentina. Para uma equipe que chegou ao torneio com o peso histórico de cinco títulos mundiais e a expectativa permanente pelo hexacampeonato, o resultado aumenta a pressão sobre jogadores, comissão técnica e dirigentes.
Após o jogo, Ancelotti classificou a derrota como o início de um novo ciclo. O treinador afirmou que a Seleção precisa administrar a frustração, buscar novas ideias e renovar setores do elenco, especialmente o meio campo. A fala aponta para um processo de reconstrução, mas não reduz o impacto de mais uma eliminação para uma seleção europeia em mata decisivo.
A premiação milionária, portanto, cria um contraste incômodo. Financeiramente, a CBF deixa a Copa com uma receita expressiva. Esportivamente, o Brasil sai com mais perguntas do que respostas. O dinheiro entra no caixa, mas o desempenho reacende a cobrança sobre planejamento, renovação, identidade de jogo e capacidade de competir em alto nível nos momentos decisivos.