Caso Whindersson e TRON

Nome de Whindersson Nunes surge em meio a investigação do TCE sobre contrato de R$ 11 milhões

Documento aponta falhas graves na contratação da TRON, empresa que já apresentou o influenciador como parte da marca

Whindersson Nunes é mencionado em investigação sobre contrato de robótica, mas sua defesa nega envolvimento na gestão do projeto - Imagem: Reprodução/Redes Sociais

Gabriela Nogueira Publicado em 19/11/2025, às 14h50

O Tribunal de Contas do Piauí voltou sua atenção para um contrato firmado pela Secretaria de Educação do estado com a empresa TRON, responsável por um programa de robótica voltado para estudantes da rede pública. A auditoria analisou documentos e pagamentos realizados no âmbito do acordo, que atingiu aproximadamente R$ 11 milhões após aditivos.

Um dos pontos destacados pelo TCE-PI é o pagamento antecipado de cerca de R$ 949,9 mil correspondente a serviços de consultoria. Segundo o órgão, esse adiantamento não estava previsto nas cláusulas contratuais e foi realizado antes da execução das atividades, o que motivou questionamentos sobre o procedimento adotado.

Outro elemento observado pelos auditores diz respeito à dispensa de licitação. Embora esse tipo de contratação seja permitido em situações específicas, o Tribunal identificou falhas no estudo técnico que justificou a escolha da empresa. Parte das informações que embasaram o documento teria vindo da própria TRON, e não de uma análise independente da Secretaria.

A empresa ganhou ainda mais destaque por estar associada publicamente ao influenciador Whindersson Nunes. Embora ele não conste como sócio no registro oficial da empresa, a TRON já o apresentou como integrante da marca em materiais promocionais. Em 2023, o influenciador mencionou em uma cerimônia pública ter uma empresa voltada à tecnologia educacional no Piauí, declaração que posteriormente saiu de suas redes sociais.

A defesa de Whindersson esclarece que sua participação é limitada a um acordo comercial do tipo “media for equity”, no qual ele divulga a marca em troca de participação. Segundo os advogados, ele não tem envolvimento na execução do contrato analisado pelo TCE-PI, nem acesso ao andamento operacional do projeto com o governo estadual.

O relatório preliminar do Tribunal aponta uma série de inconsistências que serão analisadas durante o processo. A Secretaria de Educação afirma que não foi notificada oficialmente, mas declara estar à disposição para prestar esclarecimentos e reforça que o programa de robótica segue em implantação.

Com o caso ainda em andamento, o TCE-PI deverá ouvir as partes envolvidas antes de definir os próximos passos da investigação.

educação SECRETARIA piauí CONTAS CONTRATO PROGRAMA Pagamentos Whindersson Nunes AUDITORIA inconsistências robótica

Leia também