Inteligência Artificial

Pesquisador da UFMG é reconhecido pela Unesco por estudos em ética da IA

Virgílio Almeida é reconhecido por sua contribuição ao debate global sobre uso responsável da tecnologia

O reconhecimento do professor Almeida pelo Ministério das Relações Exteriores reforça a importância da pesquisa ética em inteligência artificial - Imagem: Reprodução/Freepik

Gabriela Nogueira Publicado em 07/11/2025, às 15h52

A Unesco divulgou os laureados da primeira edição do Prêmio Unesco-Uzbequistão, que reconhece pesquisas científicas focadas na ética da inteligência artificial. O destaque deste ano foi o professor Virgílio Almeida, vinculado ao Departamento de Computação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Sua pesquisa abrange a governança da internet, algoritmos e suas implicações nas políticas regulatórias de inteligência artificial, tanto no Brasil quanto globalmente.

O professor tem um histórico significativo na formulação de políticas relacionadas à tecnologia. Ele foi secretário nacional de Políticas de Informática do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação durante um período crítico marcado pelas revelações de Edward Snowden sobre a vigilância em massa realizada pelos Estados Unidos. O escândalo impactou diretamente o Brasil, onde empresas como a Petrobras e figuras como a então presidente Dilma Rousseff foram alvo de monitoramento, levando a uma resposta institucional mais firme e ao engajamento do professor em discussões internacionais sobre privacidade e segurança digital.

Após seu retorno ao Brasil, Almeida continuou sua trajetória acadêmica na UFMG e na Universidade de São Paulo, onde atualmente lidera o projeto "IA Responsável" na cátedra Oscar Sala do Instituto de Estudos Avançados. Este projeto visa investigar as dimensões técnicas, sociais, legais e institucionais que envolvem o desenvolvimento e uso da inteligência artificial.

A indicação do professor ao prêmio foi feita pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Em comunicado oficial, o governo expressou sua satisfação com o reconhecimento e destacou que a premiação representa um compromisso com a governança inclusiva e o uso ético da inteligência artificial como instrumentos para o desenvolvimento socioeconômico sustentável.

Além do professor Almeida, também foram premiadas as pesquisadoras Claudia Roda e Susan Perry, que atuam na Cátedra Unesco para Inteligência Artificial e Direitos Humanos da American University of Paris. Elas se dedicam ao estudo dos impactos das tecnologias digitais na vida cotidiana e à análise dos novos desafios que essas inovações apresentam.

Outro laureado foi o Instituto para Governança Internacional da Inteligência Artificial da Universidade de Tsinghua, na China, liderado pelo professor Xue Lan. Este instituto tem se empenhado em desenvolver métodos que promovam uma inteligência artificial responsável e inclusiva desde sua fundação em 2020.

O Prêmio Beruniy é uma homenagem ao renomado cientista uzbeque Abu Rayhan al-Biruni, ativo nos séculos X e XI. Al-Biruni fez contribuições significativas em diversas áreas do conhecimento e é reconhecido como um dos principais patronos da ciência no Uzbequistão. A criação deste prêmio reflete os esforços recentes do país asiático para promover sua cultura e fortalecer suas relações internacionais.

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