Pela primeira vez, índice fica abaixo de 5%; diferenças regionais, raciais e etárias seguem como desafio para a educação
Letícia Sales Publicado em 19/06/2026, às 13h10
O Brasil alcançou em 2025 a menor taxa de analfabetismo já registrada desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua Educação. Os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que 4,9% da população com 15 anos ou mais não sabe ler nem escrever, o equivalente a cerca de 8,4 milhões de pessoas.
O resultado representa uma queda em relação a 2024, quando a taxa era de 5,3%, e marca a primeira vez que o indicador fica abaixo da barreira dos 5%. Em apenas um ano, aproximadamente 592 mil brasileiros deixaram a condição de analfabetismo.
Apesar do avanço, o levantamento revela que o problema continua concentrado em grupos específicos da população. O Nordeste reúne mais da metade dos analfabetos do país, com 4,8 milhões de pessoas nessa condição. A taxa regional chegou a 10,6%, mais que o dobro da média nacional.
O analfabetismo também permanece fortemente associado à idade. Entre os brasileiros com 60 anos ou mais, a taxa foi de 13,8%, enquanto entre pessoas de 15 a 59 anos o percentual caiu para 2,6%. Atualmente, os idosos representam 58% de todos os analfabetos do país.
Outro ponto destacado pela pesquisa é a persistência das desigualdades raciais. Entre pessoas brancas com 15 anos ou mais, a taxa de analfabetismo foi de 2,8%. Já entre pretos e pardos, o índice alcançou 6,5%. Entre os idosos, a diferença é ainda mais expressiva, chegando a 20,6% entre pretos e pardos, contra 7,3% entre brancos.
Ao mesmo tempo, os indicadores de escolaridade apresentaram evolução. Pela primeira vez, mais da metade da população preta ou parda com 25 anos ou mais concluiu pelo menos o ensino médio. O percentual atingiu 51,3%, enquanto entre os brancos chegou a 64,9%.
O estudo também apontou crescimento no número de brasileiros com ensino superior completo, que passou a representar 21,4% da população adulta. A média de anos de estudo alcançou 10,2 anos, o maior patamar da série histórica.
Entre os jovens, houve redução do grupo que não estuda, não trabalha e não participa de cursos de qualificação. Em 2025, esse contingente somava 8,2 milhões de pessoas, número inferior aos 11 milhões registrados em 2019.
Os dados indicam avanços importantes na educação brasileira, mas reforçam que o acesso ao ensino e às oportunidades de aprendizagem ainda não ocorre de forma igualitária em todas as regiões e grupos sociais do país.